Em todas as eleições no Amazonas, o roteiro é conhecido: dezenas de pesquisas eleitorais infestam as redes sociais, os portais de notícias e os jornais locais, buscando antever o resultado da opinião popular. Recentemente, os manauaras testemunharam mais um capítulo dessa novela, quando um empresário e “cientista político” acusou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM), na pessoa de seu presidente, de abrir as portas da corte eleitoral para “institutos de pesquisas fraudulentos”.
O incidente mencionado pelo acusador refere-se a uma reunião convocada pelo Desembargador, que reuniria representantes dos principais institutos de pesquisa do Amazonas, com o objetivo de discutir o panorama das eleições, avaliar os levantamentos e consolidar mecanismos para frear a desinformação, as fake news e supostas interferências no processo eleitoral. Contudo, o empresário não imaginava que os áudios enviados a um CEO afastado de um desses institutos, atualmente assessor de comunicação do TRE/AM, vazariam entre os jornalistas amazonenses. A partir desse ponto, ele se viu numa situação delicada, pois na conversa continham ameaças ao magistrado, e, após a repercussão negativa, o empresário emitiu uma nota de desculpas e elogios à postura do presidente do TRE/AM.
Os CEOs dos institutos de pesquisa, por sua vez, não perderam tempo em criticar a postura do “cientista político”, acusando-o de crimes e de tentar interferir no panorama político local. O cenário é constrangedor e peculiar à política amazonense. A cada eleição, eleitores comentam que “as pesquisas do instituto X mostrarão o candidato Y em primeiro; as feitas pelo veículo Y serão favoráveis ao candidato Z”. Mas como pode os números serem tão divergentes dentro de uma margem de erro que, na maioria das vezes, não passa de 3%?
Essa é uma pergunta que muitos gostariam de ver respondida. Apesar de muitos eleitores ignorarem as pesquisas, uma grande parcela da população ainda se guia por elas para decidir o voto. Existe no imaginário popular a ideia de que é melhor apoiar quem está mais bem posicionado nas pesquisas, e é nesse sentimento que os candidatos se apoiam para explorar a repercussão desses levantamentos.
As pesquisas eleitorais surgiram com a intenção de oferecer uma perspectiva sobre como o eleitorado percebia os candidatos momentos antes das eleições. Atualmente, com dezenas de institutos divulgando números conflitantes, a única certeza é a bagunça na cabeça do eleitor que fica sem saber em qual acreditar. Mas será que ele realmente quer uma resposta clara? Em um cenário onde a confiança nas instituições e nos meios de comunicação está em declínio, as pesquisas eleitorais se tornam mais uma peça no jogo complexo da política amazonense, refletindo um misto de interesses, desinformação e estratégias eleitorais.
A verdade é que uma ferramenta que deveria servir de orientação para o eleitorado, muitas vezes se torna instrumento de confusão. A recente controvérsia envolvendo o TRE/AM é apenas um exemplo de como as eleições no estado podem ser tumultuadas e influenciadas por interesses particulares. Cabe aos eleitores e às instituições responsáveis buscarem formas de assegurar a transparência e a integridade do processo eleitoral, para que a verdadeira vontade popular seja respeitada.









