Manaus | 4 de agosto de 2026 | 13:46:54

A fragilidade de uma sociedade manipulável

O Brasil atravessa um momento de intensa reflexão sobre os rumos da sociedade em meio à proliferação de fake news, fenômeno que afeta diretamente a qualidade da democracia e da convivência social. A enxurrada de informações falsas tornou-se um dos maiores desafios contemporâneos, exigindo medidas para combatê-la que muitas vezes são vistas como ameaças à liberdade de expressão. Isso, por si só, reflete a complexa tarefa de equilibrar a proteção da verdade com a garantia dos direitos individuais em uma sociedade que busca a consolidação da democracia.

Chega a ser impressionante a capacidade que alguns protagonistas das últimas e das próximas eleições têm de utilizar a desinformação como principal ferramenta de campanha. Cito como exemplo um dos candidatos à prefeitura da maior cidade do país, detentora de 9% do PIB nacional, que vocifera um discurso repleto de inverdades, mas que, ao mesmo tempo, possui uma capacidade de comunicação invejável. A tática adotada por ele é revela como a mentira pode ser estrategicamente utilizada para manipular a opinião pública e alcançar o poder.

A habilidade de comunicar de forma persuasiva, mesmo que com base em mentiras, coloca em xeque a essência da democracia, pois, induzidos, os eleitores são atraídos por discursos que apelam mais à emoção do que à razão, e que reforçam preconceitos e desinformações já enraizados. Políticos assim, com seu carisma e domínio das redes sociais, conseguem facilmente desviar a atenção dos debates verdadeiramente importantes e manipular a percepção pública em seu favor.

Agora, o que causa mais fragilidade à sociedade é que, paralelamente a isso, os brasileiros também têm sido espectadores de um confronto entre interesses que, por vezes, parecem não serem tão republicanos.  De um lado, um bilionário americano que possui uma das redes sociais mais utilizadas no Brasil, conhecida por sua política liberal, onde praticamente tudo é permitido. Do outro, um magistrado da mais alta corte, que já deu mostras de que muitas vezes age mais com o fígado do que com a cabeça. 

Mas o que tem a ver uma coisa com a outra? Tudo! Porque o brasileiro fica refém das decisões e atitudes dessas duas pessoas, e o desafio é encontrar um equilíbrio entre a manutenção da liberdade de expressão, que é um pilar fundamental das democracias modernas, e a necessidade de proteger a sociedade da desinformação.

Candidatos que se utilizam das fake news para cair no gosto popular, tem na rede social um terreno fértil para perpetrar seu plano e, respaldado pelo própria política de informação da ferramenta, se acha no direito de não temer nada, nem mesmo a medidas judiciais. 

O momento de reflexão pelo qual o Brasil passa exige um olhar para dentro da sociedade, que tem se mostrado doente e fragilizada em seus valores. Precisamos promover um debate profundo e equilibrado sobre as responsabilidades de todos os atores envolvidos — desde políticos e empresas de tecnologia até os cidadãos comuns. É necessário reconhecer que o combate às fake news não deve ser travado em detrimento da liberdade de expressão, mas compreender que ambos devem coexistir, desde que haja um compromisso coletivo com a verdade e a integridade.

Por mais que muitos, ainda que bem-intencionados, possam taxar de impopular, a regulamentação mais rígida das redes sociais e a responsabilização de candidatos que mentem de forma sistemática, deve ser entendida como uma defesa da democracia e da verdade, para que a sociedade não se afunde ainda mais na desinformação, podendo colocar em risco o futuro do país (se os criminosos, se passando por bons moços, assumirem os postos de comando).

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