O Brasil tem 1,7 milhão de indígenas autodeclarados de 305 etnias, representando 0,83% do total de habitantes do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Embora cada grupo étnico tenha suas próprias maneiras de agir e se comportar, existem algumas características comuns que podem ser encontradas quando se considera o coletivo em questão. Assim, a cerâmica, as máscaras, a pintura corporal, a cestaria e a plumagem formam uma arte tradicional compartilhada conhecida como arte indígena ou arte produzida por povos indígenas.
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É importante ter em mente que a utilização de partes de animais no artesanato é exclusiva dos povos das florestas; no entanto, é proibido comercializar essas partes.

Imagens: Divulgação/Jaime Trindade
Além disso, é preocupante observar que as expressões artísticas dos povos originais e sua própria população estão sendo destruídas, usurpadas e apropriadas.
Conversamos com Carlysson Sena, jornalista e galerista proprietário da Manaus Amazônia Galeria de Arte, que de forma descontraída, explicou sobre esse boom da arte indígena contemporânea, visual, que invade até os meandros da Inteligência Artificial. Carlysson salientou que a Manaus Amazônia Galeria de Arte é exclusiva de quadros, e que outras peças produzidas, e reconhecidas como arte indígena, não estão em seu acervo. Seu foco são quadros.

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A Repórter – Como você, não só galerista mas refinado jornalista, vê essa abertura da arte indígena contemporânea nos principais espaços e salões de exposição?
Carlysson – Acredito que a arte produzida por indígenas brasileiros e em especial os da Amazônia, os quais trabalho na nossa galeria, fazem parte de um momento importante no mercado da arte em que não somente o comércio viu no trabalho destes artistas uma forma de trazer ares “novos” para o que se vê em exposição e em espaços importantes de arte, como também a oportunidade de realizar uma reparação histórica com esses artistas e suas artes que durante séculos estiveram fora do contexto da história da arte em grandes espaços de reconhecimento público do universo artístico.

Imagem: Divulgação/Carlysson Sena
Acredito que é a hora e a vez dos artistas indígenas que trazem uma potente ancestralidade em seus trabalhos, antes desprezada pelos grandes espaços artísticos. Eles e suas produções artísticas contemporâneas vieram para ficar, independente dos incomodados com eles.
A Repórter – Quem são hoje os principais artistas que estão, digamos que, no foco da mídia e da crítica especializadas?
Carlysson – Destaco artistas visuais do estado do Amazonas que hoje são muito respeitados no cenário nacional da arte contemporânea, como Denilson Baniwa, Uyra, Duhigó, Dhiani Pa’saro, Sãnipã, Iwiri-ki, Yúpury, Paulo Dessana, Lilly Baniwa, Joseca Yanomamy e tantos outros que estão ganhando o mundo e o Brasil em nome dos povos originários.

Imagem: Divulgação/ Joseca Yanomamy
A Repórter – Em questão de técnica e criatividade podemos contextualizar toda essa produção como contemporânea? Ou como alguns artigos posicionam como “Arte Etnológica”? Qual a designação correta?
Carlysson – Certamente. Mas prefiro não entrar em termos que para mim são acadêmicos e voltado para pesquisadores que teorizam ou tentam dividir em caixas a arte. Arte é arte e ponto final. E o artista que está produzindo neste momento do mundo é um artista contemporâneo, independente do que ele traga como tema.

Imagem: Divulgação/Jaime Trindade
A Repórter – Sabemos que a logística de uma mostra, exposição ou instalção demanda tempo, custo e apoio. É possível falarmos sobre essa questão?
Carlysson – Sim, demanda toda uma complexidade de papéis e trabalhadores da arte envolvidos neste processo onde o artista está no centro de tudo, mas é uma parte da grande engrenagem necessária para que tudo aconteça e chegue ao público. Hoje, nós do Amazonas temos profissionais aptos para encarrar todos esses desafios. E nós da Manaus Amazônia temos uma trajetória conquistada e que nos credencia para realizar eventos culturais que demandam essa logística.

Imagem: Divulgação/Jaime Trindade
A Repórter – Das telas, tintas e pincéis, das cestarias e cocares, brincos e adornos, para a virtualidade, inclusive com o uso da Inteligência Artificial. Há um lado positivo e um lado negativo? Essa questão abre uma necessidade de debate sobre patrimônio material e imaterial?

Imagem: Divulgação/Duhigó
A Repórter – A Manaus Amazônia Galeria de Arte promove a abertura para novos artistas? Artistas ‘anônimos’? Como é tratada essa questão?
Carlysson – Sim, desde que eles passem por um crivo curatorial. Nem todos os geniais artistas que temos estão aptos para construir uma carreira no mercado da arte. É preciso respeitar a escolha de cada artista com relação a que rumo deseja seguir e a que construção de carreira deseja desenvolver. Nossa galeria trabalha com artistas indígenas e não indígenas que desejam viver de sua arte e serem orientados por nós para construir suas carreiras no mercado nacional e internacional, com respeito a técnica e ao talento de cada um.

Imagem: Divulgação/Carlysson Sena
A Repórter – Do espaço urbano para a energia das matas, qual a mensagem que você deixa para nossos leitores, artistas e interessados em arte?
Carlysson – Aos leitores, que conheçam mais sobre o que o Amazonas produz como artes visuais além dos artistas que já conhecemos. Existem muitos artistas amazonenses desenvolvendo trabalhos incríveis. Comprem obras destes artistas.

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Acreditem nos novos talentos. E aos interessados em arte que abram seus corações para incentivar artistas visuais comprando o trabalho deles, essa é a melhor forma de estimular o artista da terra.

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Muito mais do que divulgá-lo. Despertem para o mundo incrível dos colecionadores de arte que por sinal já possuímos uma nova geração muito bacana de jovens colecionadores amazonenses.

Serviço:
Local: Manaus Amazônia Galeria de Arte
Onde: Rua Baião, 41 – Cj. Deborah, D.Pedro I – 69040-380
Horário: Por agendamento.
Contato: (92) 98802-4432
Redes Sociais:
Facebook: https://www.facebook.com/manausamazoniagaleria/?locale=pt_BR
Instagram: @ManausAmazonia
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