Ou bem Haddad apresenta projeto de corte de gastos, ou então jogará fora credibilidade que conquistou
Como resultado do déficit em crescimento, a dívida pública aumentou 2,1 pontos percentuais, para 73,8% do PIB, patamar elevado para uma economia emergente. Ao todo, as contas públicas pioraram em R$ 260 bilhões ao longo do ano, uma virada de 2,6 pontos percentuais do PIB na direção contrária à necessária para equilibrá-las.
Em documento recente, o PT acusa a política econômica de “austericídio fiscal”. Mas os números mostram uma realidade bem diferente. Não pode ser esquecido que a PEC da Transição, aprovada no final de 2022, já sob influência do governo que assumiria, autorizou gastos adicionais de R$ 169 bilhões. Mais que o déficit de janeiro a novembro. Recursos foram destinados ao Bolsa Família, saúde, educação, bolsas de estudos, entre outras políticas públicas. Por mais meritórias que sejam as despesas, é preciso ter consciência do seu impacto nas contas públicas.
O novo arcabouço fiscal e as medidas aprovadas para aumentar a arrecadação deixaram claro que a intenção do governo é tentar cobrir o aumento de despesas com mais receitas. É uma estratégia que tem tudo para dar errado. Os dados negativos do final de ano não aconselham otimismo com a meta de déficit “mais próximo possível de zero” e dos superávits de 0,5% e 1% do PIB em 2025 e 2026. Calcula-se que, para isso, seria necessário um esforço fiscal da ordem de R$ 300 bilhões. Dinheiro demais para extrair de uma sociedade que já arca com uma carga tributária altíssima e onde os empreendedores encontram enormes dificuldades para investir seu capital e fazer a economia crescer. Ou bem Haddad apresenta logo um plano de cortes e otimização dos gastos públicos, ou então lançará pelos ares a credibilidade tão duramente conquistada.






