Caso é tratado como ‘ataque terrorista’, quatro anos após morte de Qassem Soleimani, comandante da Força Quds, por drone americano no Iraque
As explosões ocorreram em um momento de grande tensão no Oriente Médio, um dia depois que o número dois do Hamas, o aliado iraniano Saleh al-Aruri, foi morto em um ataque de drone em Beirute, que as autoridades libanesas atribuíram a Israel. As bombas foram posicionadas próximo à mesquita Saheb al-Zaman, onde está localizado o túmulo de Soleimani, na cidade de Kerman, no sul do Irã.
“Enorme explosão ouvida perto da mesquita Saheb al-Zaman”, onde o ex-chefe das operações estrangeiras da Guarda Revolucionária do Irã está enterrado, disse a Irna, a TV estatal, em uma primeira reportagem nesta quarta-feira. “Uma segunda explosão foi ouvida perto da mesquita Saheb al-Zaman”, acrescentou a emissora, pouco depois.
A primeira explosão ocorreu a 700 metros do túmulo de Soleimani, e a segunda a um quilômetro de distância, quando peregrinos visitavam o local durante uma procissão. A agência de notícias semioficial Tasnim, associada à Guarda Revolucionária, negou as especulações de que um “oficial sênior da Guarda Revolucionária do Irã” estava entre os mortos na explosão.
A área ao redor do local dos ataques foi totalmente isolada pelas forças de segurança, segundo um repórter da Irna que estava no local. Citado pela rede al-Jazeera, o jornalista informou ainda que as pessoas são incentivadas a notificar o Ministério da Inteligência se virem qualquer atividade suspeita.
“Os agentes e autores desse crime grave serão, sem dúvida, punidos”, disse o chefe do Judiciário do Irã, Gholam Hossein Mohseni-Ejei, em nota. “As agências responsáveis pela inteligência, segurança e aplicação da lei são obrigadas a buscar prontamente todas as evidências e autores e entregá-los ao Judiciário.”
Imagens na Internet mostraram multidões tentando fugir do local enquanto a equipe de segurança isolava a área. A televisão estatal mostrou ambulâncias e equipes de resgate no local.
De acordo com Babak Yekta Parast, porta-voz da organização de Serviços de Emergência Nacional do Irã, o número de pessoas mortas nas explosões deve aumentar ainda mais nas próximas horas.
— Infelizmente, as informações que recebemos indicam que alguns dos feridos estão em estado muito crítico — disse Parast à agência Irna por telefone, acrescentando que helicópteros dos serviços de emergência estão preparados para levar pacientes de Kerman para hospitais na capital, Teerã, se necessário.
O vice-governador para política e segurança de Kerman disse à Irna que as explosões foram ataques terroristas. Antes, as autoridades cogitaram ser um “incidente causado por uma explosão de gás”. Ninguém reivindicou os ataques até o momento.
Uma mulher não identificada disse à TV estatal que uma das bombas foi colocada em uma lixeira. Já a agência de notícias Tasnim informou que as duas bombas foram colocadas em malas, que parecem ter sido detonadas remotamente. Ambos os relatos, porém, contradizem comentários anteriores, que sugeriam que foram homens-bomba que detonaram os explosivos. Não houve confirmação ou declaração oficial sobre as especulações.
— Não fiquei ferida, mas tenho sangue em minhas roupas. Eu tinha acabado de caminhar para o outro lado da rua quando a bomba explodiu — disse a mulher não identificada à Irna.





