Manaus | 5 de setembro de 2026 | 04:56:02

Número de imigrantes venezuelanos no Brasil bate recorde em meio à disputa com Guiana e incerteza sobre futuro

Um apagão no ápice da crise política e econômica na Venezuela fez Karen Uchoa, de 26 anos, e seu marido, Wendell Camejo, abandonarem o país em 2019. Recém-formados em Psicologia, eles já sofriam com os altos índices de desemprego, mas nada comparado às semanas em que viveram no escuro, sem água nem comida.
— Depois que o país inteiro ficou parado por duas semanas consecutivas, sem eletricidade, as coisas começaram a piorar e decidimos que não dava mais — conta Karen, que hoje é professora de espanhol em um curso de idiomas ministrado por refugiados no Rio de Janeiro e desenvolvedora web.
A história do casal é um retrato dos mais de 510 mil venezuelanos que deixaram tudo para trás e vivem no Brasil, segundo dados do governo federal. Um movimento recorde que, em 2023, elevou o país da quinta para a terceira posição no ranking de principais destinos da população na América Latina. Mundialmente, o Brasil é a quarta nação que mais acolhe venezuelanos, atrás apenas da Colômbia, Peru e Estados Unidos, respectivamente.

Hoje, os venezuelanos já são a maior população de imigrantes no território brasileiro, mas este número pode aumentar ainda mais com o acirramento das tensões entre a Venezuela e a Guiana por Essequibo, região rica em petróleo que também faz fronteira com o Brasil. A secular disputa, reavivada recentemente pelo governo de Nicolás Maduro, é vista por analistas como uma tentativa do ditador de angariar popularidade — na expectativa de que, num contexto de eleição presidencial no ano que vem, o nacionalismo ofusque a profunda crise na qual o país se afundou.

Mas os problemas que motivaram mais de 7,7 milhões de pessoas a deixarem a Venezuela nos últimos anos persistem, e há quem acredite que eles podem se agravar ainda mais com um possível conflito armado no horizonte.

— A crise migratória dura há muito tempo porque as suas causas persistem e até pioraram com o tempo. Primeiro porque a economia do país não se recuperou, segundo pois não há perspectiva de que a situação política mude no curto ou mesmo no médio prazo — analisa Mariano de Alba, assessor sênior e especialista em Venezuela do Crisis Group.

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