Em 2023, o Brasil se tornou o terceiro principal destino dos migrantes venezuelanos na América Latina, com uma população de mais de 500 mil pessoas
Hoje, os venezuelanos já são a maior população de imigrantes no território brasileiro, mas este número pode aumentar ainda mais com o acirramento das tensões entre a Venezuela e a Guiana por Essequibo, região rica em petróleo que também faz fronteira com o Brasil. A secular disputa, reavivada recentemente pelo governo de Nicolás Maduro, é vista por analistas como uma tentativa do ditador de angariar popularidade — na expectativa de que, num contexto de eleição presidencial no ano que vem, o nacionalismo ofusque a profunda crise na qual o país se afundou.
Mas os problemas que motivaram mais de 7,7 milhões de pessoas a deixarem a Venezuela nos últimos anos persistem, e há quem acredite que eles podem se agravar ainda mais com um possível conflito armado no horizonte.
— A crise migratória dura há muito tempo porque as suas causas persistem e até pioraram com o tempo. Primeiro porque a economia do país não se recuperou, segundo pois não há perspectiva de que a situação política mude no curto ou mesmo no médio prazo — analisa Mariano de Alba, assessor sênior e especialista em Venezuela do Crisis Group.





