Manaus | 19 de outubro de 2026 | 17:42:38

Calorão pressiona preço de alimentos e analistas estimam cenário pior para 2024

Efeitos já são percebidos nos produtos in natura, como hortaliças e tubérculos, e devem impedir queda mais acentuada dos alimentos no acumulado do ano.

Os recentes eventos climáticos, como as ondas de calor no Centro-Oeste e as chuvas abundantes no Sul, tendem a pressionar os preços de alimentos no fim deste ano e nos primeiros meses de 2024, segundo as projeções de economistas.

Os efeitos já são percebidos nos preços de produtos in natura, como hortaliças e tubérculos, e devem impedir queda mais acentuada dos alimentos no acumulado do ano. Para 2024, o que se espera é um impacto maior no primeiro trimestre, que tende a se dissipar com a chegada do outono.

André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, estima que a inflação de alimentos em domicílio encerre o ano com queda de 2,5%. Em 2024, prevê alta de 3,9%.

Essa mudança de direção nos preços, mesmo que temporária, tem impacto no orçamento das famílias, já que reduz o espaço para gastos com outros produtos. Braz destaca que, em média, as famílias gastam 16% de sua renda com a compra de alimentos.

— O El Niño pode comprometer as safras de 2023 e 2024. Para este ano, o efeito que já estamos percebendo, mas que também é típico desta época, é o aumento dos alimentos in natura. Hortaliças, legumes e frutas sobem muito. Isso é tradicional, mas essa alta parece ser um pouco maior pelo El Niño, que vem intensificando as ondas de calor e chuvas em algumas regiões do país — afirmou Braz.

Em outubro, a alimentação no domicílio subiu 0,27%, após quatro quedas seguidas.

A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, diz que, em 2024, a inflação de alimentos pode chegar a 6,6%, com impacto centrado no primeiro trimestre, em um cenário de fortes efeitos adversos do El Niño. Caso o cenário se mostre mais benigno, espera alta de 4%.

Flutuação maior de preço

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou ontem, durante o evento “E agora, Brasil?”, promovido pelo GLOBO e pelo Valor, que as discussões sobre mudanças climáticas já chegaram aos bancos centrais.

— O número crescente de desastres climáticos que estamos vendo tem influência no mandato do Banco Central já que gera uma grande instabilidade de preços em energia e alimentos — afirmou. — Eu tenho uma preocupação talvez maior com esse tema do que a média dos bancos centrais. Talvez por estar no Brasil e ver o impacto que a gente está tendo.

Ele disse que isso traz mais volatilidade aos preços, o que significa mais incerteza:

— Não dá para dizer que o preço de alimentos vai subir, é difícil achar essa relação, mas dá para dizer que vai ser mais volátil, ou seja, vai ter mais flutuação de preço.

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