País já é o sexto maior exportador. O estado de São Paulo tem cerca de 65% da produção nacional de amendoim.
Quando o assunto são as exportações do agronegócio brasileiro, uns dos primeiros produtos que vêm à mente é a soja, de fato, o carro-chefe das vendas externas do país. Mas, nos últimos anos, outros cultivos nacionais vêm ganhando espaço lá fora. Um deles é o amendoim in natura. O Brasil começa a se posicionar como uma fronteira de exportação do produto. Os embarques cresceram 360% nos últimos dez anos. De 2019 a 2022, o avanço foi de 40%.
O amendoim nacional vem conquistando mercado — e deve continuar a avançar — porque o Brasil é um dos únicos produtores com espaço para ampliar a área de cultivo, tem clima favorável e tecnologia de produção e vem melhorando a qualidade do grão, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) e setores da cadeia produtiva.
Entre 2019 e 2022, a produção nacional de amendoim subiu 60%, alcançando quase 900 mil toneladas. Só em 2022, as exportações do grão somaram 285,6 mil toneladas, o que gerou uma receita de US$ 333,4 milhões e levou o país ao 6º lugar no ranking mundial dos exportadores, liderado pela Índia, que ultrapassou a Argentina no ano passado.
Neste ano, de janeiro a agosto, foram quase 197 mil toneladas, alta de 11% sobre o mesmo período de 2022.
SP concentra produção
O estado de São Paulo tem cerca de 65% da produção nacional de amendoim. Uma das regiões do estado que se destacam é a de Jaboticabal, onde há uma espécie de “casamento” com a cana-de-açúcar. O plantio de amendoim se dá quase exclusivamente em áreas de renovação de canaviais.
Em Tupã, outra importante região de produção, o cultivo também acontece em áreas de renovação de canaviais e de reforma de pastagens. O amendoim avança ainda em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
Apesar do crescimento dos últimos anos, há ainda potencial a ser explorado, como indica José Antonio Rossato, diretor da Coplana, cooperativa de Jaboticabal que exporta o produto. Para ele, o Brasil é “um gigante adormecido” no amendoim.
Segundo Rossato, o salto de produtividade começou no ano 2000, quando houve mecanização da atividade e as variedades eretas de cultivo manual foram substituídas pelas rasteiras desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC) e pela Embrapa.
Um número que dá dimensão do avanço do amendoim brasileiro no exterior é o de países que compram o produto. Desde 2010, ele mais que dobrou, saindo de 53 para 115, segundo a Abicab.
Conforme um estudo do Instituto de Economia Agrícola (IEA), cerca de 85% do total exportado foram destinados a 12 países: Rússia, Argélia, Holanda, Reino Unido, Espanha, Polônia, Colômbia, Turquia, Ucrânia, África do Sul, Austrália e Emirados Árabes Unidos.






