Manaus | 19 de outubro de 2026 | 17:42:08

Deflação chinesa pode interferir na economia brasileira

A deflação nos preços de produtos chineses tem gerado crescente preocupação em relação à economia global. A razão é que a diminuição dos valores das commodities chinesas sinaliza uma demanda econômica enfraquecida no país asiático. Quando a população chinesa consome menos, ocorre uma redução tanto nas importações quanto nos investimentos.

Paulo Gala, economista-chefe do banco Master, analisa que a deflação nos preços das mercadorias produzidas na China pode ser um indicativo de uma crise que se avizinha.

“Antes, a grande preocupação do mercado era a alta inflação. Agora, surge a inquietação com a deflação, porque pode sinalizar uma crise futura ou uma desaceleração significativa. O preço do minério de ferro teve uma queda acentuada após a divulgação de dados piores do que se esperava.”

As negociações futuras de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Cingapura declinaram mais de 3% nesta segunda-feira, atingindo o patamar mais baixo desde outubro do ano passado.

No contexto brasileiro, a redução nas cotações do minério de ferro está afetando negativamente as ações no setor de mineração e siderurgia, segmentos com grande peso no índice Ibovespa.

Esse declínio generalizado decorre do fato de a China ser um dos principais importadores globais de minério de ferro, um insumo vital para o seu robusto mercado imobiliário. Entretanto, o setor imobiliário chinês está enfrentando dificuldades há mais de dois anos, o que está restringindo a recuperação da economia local.

Essas dificuldades são impulsionadas pela queda nas vendas de imóveis e pelo elevado endividamento das incorporadoras, resultante de investimentos substanciais que não geraram retorno. O governo chinês tem buscado respaldar o setor, mas até o momento as adversidades persistem.

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