Manaus | 19 de outubro de 2026 | 18:34:35

Efeitos externos podem manter escalada da inflação no Brasil; economista analisa cenário

A Repórter - Portal de Notícias
SP - AUMENTO-COMBUSTÍVEIS-LIMEIRA - GERAL - Bombas de combustível em Limeira (SP). Na tarde desta terça-feira (26), o preço da gasolina passou dos R$ 6, sendo que o valor médio na cidade é R$ 6,39 por litro. 26/10/2021 - Foto: ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Mês teve a sua maior variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo desde 1996.

Efeitos externos podem manter a escalada da inflação no Brasil. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do Brasil, registrou uma alta de 1,06% em abril, a maior variação para o mês desde 1996, após subir 1,62% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA registra uma alta de 12,13%. As elevações dos alimentos e dos combustíveis impulsionam o índice no país, mas os efeitos mundiais da pandemia da Covid-19 ainda são sentidos na falta de matérias primas, elevações também dos insumos e custos de logística.

A economita da XP Investimentos, Tatiana Nogueira, ressalta que as novas interlocuções nas cadeias de suprimentos pela política de Covid-19 zero na China e prolongamento da guerra na Ucrânia implicam riscos adicionais à produção global, que chegam ao Brasil inevitavelmente. “Os preços das commodities agrícolas, porque a Rússia e a Ucrânia são importantes países produtores de trigo, de milho e de fertilizantes, em especial para a produção agrícola do resto do mundo, mas também a Rússia é um termo muito importante na produção de petróleo, não só o petróleo, o gás natural e produtos também já refinados do petróleo. Então o comércio com a Rússia acabou prejudicando e elevando esses preços adicionalmente no início de 2022. Então o ano de 2022, que seria um ano de normalização, em que a gente teria os indicadores da pandemia muito menores, a atividade econômica retornando aos patamares pré-pandemia, a gente esperava uma normalização, e o conflito só posterior essa normalização e acabou gerando mais pressão inflacionária”, explica.

Tatiana Nogueira explica que a análise indicava uma inflação de 7,5% dos bens industrializados em 2022 após um salto de 12% em 2021, mas, com as novas variáveis, as simulações apontam, agora, para uma inflação do segmento a 10%, que pode gerar um impacto de 0,7% ao IPCA no Brasil. “Por que o Brasil sofre e, muitas vezes a percepção é que sofre mais, é que além dos fatores externos, que a gente viu aí subindo a inflação de todo mundo, a gente teve os nossos fatores [internos] também. A demanda aquecida e, principalmente, a questão hídrica prejudicaram ainda mais aqui a economia e ocasionaram a pressão nos preços”, defende. O relatório Brasil Macro Mensal da XP reforça que se os riscos se materializarem, a inflação ao consumidor ficaria entre 9% e 9,5% no final de 2022.

 

 

 

Fonte: JP Notícias

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