Manaus | 3 de setembro de 2026 | 19:01:27

Sem prova de crime, Janones monta tribunal nas redes para atacar Nikolas

Na ânsia de atingir Nikolas Ferreira, André Janones decidiu dispensar uma etapa básica de qualquer acusação séria: apresentar a prova. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado usa as novas mensagens envolvendo Daniel Vorcaro para tentar colocar o parlamentar mineiro no mesmo grupo de pessoas suspeitas de participar das irregularidades investigadas no caso Banco Master.

O áudio divulgado comprova que Nikolas manteve contato com Vorcaro e apresentou ao banqueiro um amigo, advogado e ex-assessor que pretendia tratar de um ativo minerário. Isso existe, precisa ser explicado e pode ser apurado. O que o material não mostra é Nikolas recebendo dinheiro, negociando alguma vantagem, prometendo contrapartida ou participando das supostas fraudes atribuídas ao banqueiro.

Também não se sabe, pelas mensagens divulgadas, se o negócio mencionado avançou ou se Vorcaro efetivamente atendeu ao pedido. Nikolas confirmou os contatos, mas negou qualquer irregularidade, contrato ou recebimento de valores.

Esses limites, porém, não interessam ao espetáculo de Janones. Em vez de pedir esclarecimentos e aguardar a apuração, ele transforma indício em condenação, contato em sociedade criminosa e uma conversa ainda mal esclarecida em sentença definitiva.

É legítimo questionar Nikolas. O deputado deve explicar por que procurou Vorcaro, qual era exatamente o interesse de seu ex-assessor e o que aconteceu depois daquela conversa. Mas existe uma distância enorme entre cobrar explicações e chamar alguém de bandido sem apresentar prova de crime.

Janones não está revelando uma condenação nem apresentando uma descoberta própria. Está explorando politicamente um vazamento e acrescentando ao conteúdo aquilo que as mensagens, até agora, não demonstram.

A esquerda que exige presunção de inocência para os seus volta a abandonar o princípio quando o alvo está do outro lado. Para aliados, cautela e devido processo. Para adversários, fundo preto, julgamento instantâneo e condenação pelas redes sociais.

Se surgirem provas contra Nikolas, que ele responda por elas. Até lá, a verdade é mais simples: há perguntas legítimas a serem feitas, mas Janones já escolheu a sentença antes mesmo de existir investigação.

Isso não é fiscalização. É palanque disfarçado de denúncia.

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