SÃO BERNARDO DO CAMPO – O nome do operador de máquinas Robson Oliveira, de 36 anos, está estampado nas capas dos principais jornais do mundo nesta semana. Mas não foi pelo tempo oficial no cronômetro, e sim por um gesto que emocionou milhares de pessoas na reta final da maratona mais antiga e prestigiada do planeta: a Maratona de Boston, nos EUA.
Faltando poucos metros para a linha de chegada, Robson estava prestes a bater seu recorde pessoal. No entanto, ao avistar o engenheiro norte-americano Ajay Haridasse desfalecido no asfalto, o brasileiro não hesitou. Ignorou o relógio, parou sua corrida e, junto ao britânico Aaron Beggs, carregou o desconhecido nos braços para que os três cruzassem a linha de chegada juntos.
“Herói e Superstar”
Aclamado pelo público norte-americano e chamado de “superstar” pela mídia internacional, Robson desembarcou no Brasil nesta quarta-feira (22/04) e foi direto para o turno de trabalho em uma metalúrgica em São Bernardo do Campo. Para ele, a medalha de solidariedade vale mais que qualquer índice.
“Eu precisava de alguns segundos para bater meu melhor tempo, mas vi o rapaz no chão e decidi ajudar. Pensei: ‘Meu Deus, se alguém parar, eu ajudo também’. Deu tudo certo. Dois são mais fortes que um”, relatou o corredor ao retornar à rotina de operário.
A trajetória de um gigante
Trabalhador da indústria, pai de uma menina com deficiência auditiva e corredor há uma década, Robson Oliveira personifica o esforço do atleta amador brasileiro. Ele começou correndo apenas 5 km por semana e, com disciplina férrea, conquistou o difícil índice de classificação para Boston na Maratona do Rio de Janeiro, em 2024.
No ano passado, ele já havia completado a prova em solo americano com o excelente tempo de 2h45min. Este ano, o foco era superar a marca de 2h43min obtida em Buenos Aires. Ele tinha fôlego para o recorde, mas preferiu mostrar que o espírito do esporte vai muito além da competição.
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