ITAPEMA (SC) – Uma operação conjunta entre as polícias civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina resultou na prisão preventiva de um dentista acusado de crimes bárbaros contra sua companheira, de 39 anos. A vítima era mantida em cárcere privado há quatro meses, período em que foi submetida a sessões de espancamento e forçada a tatuar o nome do agressor em dez partes diferentes do corpo.
O caso, que chocou as autoridades pela crueldade, só veio à tona no início de abril. Aproveitando um momento em que o suspeito dormia sob efeito de medicamentos, a mulher conseguiu fugir da residência do casal em Itapema, no Litoral Norte catarinense, e buscou socorro em uma delegacia.
Isolamento e Marcas de Crueldade
Em depoimento à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Esteio (RS) e à DPCAMI de Itapema, a vítima relatou um cenário de tortura psicológica e física:
Incomunicabilidade: Teve o celular confiscado e era impedida de falar com familiares.
Violência Física: Apresentava ferimentos em várias regiões do corpo decorrentes de agressões constantes.
Marcação: Foi obrigada a fazer 10 tatuagens com o nome do dentista, funcionando como uma forma de “propriedade” imposta pelo agressor.
Arsenal e Histórico Criminal
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão no consultório e na residência do suspeito, os agentes encontraram:
Duas pistolas e 61 munições calibre 9mm;
Objetos pessoais e o carro da vítima (que foram recuperados);
Malas já prontas com pertences da mulher, indicando uma possível tentativa de mudança ou fuga.
A Polícia Civil identificou ainda que o dentista é reincidente, possuindo um histórico de violência doméstica contra outras mulheres no passado.
Prisão
O investigado, que não teve a identidade revelada pelas autoridades, foi encaminhado ao Presídio Regional de Itapema. Ele deve responder por cárcere privado, lesão corporal gravíssima, posse ilegal de arma de fogo e violência doméstica no âmbito da Lei Maria da Penha.






