O Brasil atingiu uma marca simbólica e preocupante para a economia doméstica. Segundo os dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o nível de endividamento das famílias brasileiras chegou ao recorde de 80,2%.
O número não reflete apenas a compra de bens duráveis (como carros ou imóveis), mas revela uma mudança no comportamento de sobrevivência: o brasileiro está usando o crédito para cobrir o custo de vida.
O “efeito bola de neve” e a volta da inadimplência
Mais do que o endividamento em si que é uma ferramenta comum de consumo, o que preocupa economistas é a curva da inadimplência. Com os juros em patamares elevados, o atraso nos pagamentos voltou a crescer.
Dívidas atrasadas: O percentual de famílias com contas em atraso também sofreu pressão, mostrando que a capacidade de pagamento está no limite.
O vilão de sempre: O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida, presente em quase 87% dos lares endividados.
Classe média sob pressão
A pesquisa destaca um dado fora do óbvio: o endividamento não cresceu apenas entre as famílias de baixa renda. A classe média (com rendimentos entre 3 e 10 salários mínimos) foi a que mais buscou crédito para tentar manter o padrão de consumo diante da inflação de serviços e alimentos.
“O endividamento em 80% indica que o crédito é a única saída para muitas famílias fecharem o mês, mas o custo desse dinheiro [juros] acaba gerando um ciclo difícil de romper”, avaliam analistas da CNC.
Perspectivas
O cenário coloca o Banco Central e o Governo Federal em um dilema: para a economia crescer, é preciso consumo; mas, com as famílias sufocadas pelas parcelas, o consumo tende a retrair nos próximos meses, o que pode impactar o PIB e a geração de empregos.






