CAMPINA GRANDE (PB) – Uma cena de profunda degradação ética e abuso de vulnerabilidade chocou os moradores de Campina Grande. Um funcionário de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro do Mutirão foi afastado preventivamente após ser flagrado mantendo relações sexuais com uma mulher em situação de rua dentro das dependências do posto de saúde.
O caso, ocorrido em fevereiro, ganhou repercussão nacional após o vazamento das imagens do circuito interno. O vídeo revela um contraste irônico e cruel: o ato ocorre em frente a uma parede onde constam os dizeres “saúde, respeito e cuidado”.
A dinâmica dos fatos
Nas imagens, o funcionário aparece sem calças e sem cueca. Após o ato, ele conversa com a mulher, que parece aguardar algo atrás de algumas cadeiras. Em seguida, o homem pega uma vasilha vermelha, que parece conter comida, e a entrega. A mulher senta-se para comer enquanto o homem, ainda nu, a observa e chega a levantar a própria blusa.
A gravação termina no momento em que o servidor percebe que está sendo filmado por uma câmera de segurança, aponta o dedo para o equipamento e sai correndo. Além da conduta sexual, há suspeitas de que o homem tenha consumido bebida alcoólica dentro da unidade de saúde.
Exploração da vulnerabilidade
O caso levanta um debate urgente sobre a coerção pela fome. Para especialistas em direitos humanos, a sequência das imagens, onde a entrega do alimento ocorre logo após o ato sexual, sugere uma possível troca, o que configura uma grave exploração de uma pessoa em extrema vulnerabilidade social e insegurança alimentar.
“A UBS deveria ser a porta de entrada para o acolhimento, não um cenário de exploração. Usar a fome de alguém como moeda de troca é uma das formas mais vis de violência institucional”, afirma a análise de observadores sociais.
Providências Administrativas
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos. O funcionário foi afastado preventivamente por 60 dias. Durante esse período, as circunstâncias serão investigadas em conjunto com a Procuradoria do município.
As sanções podem incluir:
Exoneração imediata do serviço público;
Encaminhamento ao Ministério Público para investigação de possíveis crimes sexuais;
Apuração administrativa sobre o consumo de álcool e conduta inadequada.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o paradeiro da mulher envolvida ou se ela recebeu suporte médico e psicossocial por parte da assistência social da prefeitura após a exposição do caso.










