MANAUS – Quem cuida de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou outras neurodivergências sabe que a rotina é uma maratona de terapias, consultas e dedicação exclusiva. Muitas vezes, no meio desse caminho, a própria saúde e a autoestima dessas mulheres acabam ficando em segundo plano.
Foi pensando nessa realidade que o Centro de Inclusão Sensorial Dr. Hamilton Cidade realizou, nesta sexta-feira (6), a ação “Um Dia de Autocuidado: Cuidando de Quem Cuida”. Antecipando as celebrações do Dia Internacional da Mulher, o espaço que já é referência no tratamento de crianças, abriu as portas para oferecer massagens, serviços de beleza, apoio psicológico e fotografia para as mães e avós atípicas.
Um momento de pausa na rotina
Enquanto os filhos passavam por atendimentos multidisciplinares com especialistas, as mães tiveram o que raramente conseguem: tempo para si mesmas. Neide Basílio, avó de uma paciente neuroatípica, resumiu o sentimento de muitas ali presentes:
“Acredito que precisamos ter oportunidade de nos cuidar. Como vamos cuidar das crianças se não cuidarem de si mesmas também? Muitas vezes a gente se esquece da gente.”
O presidente da Assembleia Legislativa (Aleam), deputado Roberto Cidade, que acompanhou a ação ao lado da primeira-dama Thaisa Cidade, destacou que o acolhimento precisa ser completo. “Elas vêm para cá, deixam seus filhos na terapia e também aproveitam um momento para si mesmas. Sairão daqui maquiadas, com massagem e apoio psicológico”, pontuou.
Humanização no atendimento
Para o diretor de Saúde da Casa, o médico Arnoldo Andrade, a iniciativa nasceu da observação direta do desgaste emocional dessas famílias. “Muitas vezes elas se dedicam totalmente às crianças e acabam se esquecendo de si mesmas. Isso é humanização”, explicou o diretor.
O Centro de Inclusão Sensorial, inaugurado em dezembro de 2025, tem capacidade para atender até 250 crianças e adolescentes de 1 a 14 anos. Com uma equipe de 24 profissionais, o espaço atende casos de TEA, TDAH e Síndrome de Down, mas ações como a desta sexta mostram que o olhar da saúde pública está começando a alcançar também quem segura a mão desses pacientes todos os dias.





