SÃO PAULO – A violência contra a mulher na capital paulista registrou um capítulo sombrio nesta semana. Priscila Ribeiro Verson foi morta após ser brutalmente espancada por seu ex-companheiro no Parque Novo Mundo. O crime ganha um contorno ainda mais dramático ao revelar-se que Priscila era amiga próxima de Tainara Souza Santos, que faleceu em dezembro após ser atropelada e arrastada na Marginal Tietê.
O Caso Priscila: Gritos por Socorro e Prisão no Hospital
Imagens de câmeras de segurança registraram os últimos momentos de Priscila na última segunda-feira (23). No vídeo, a vítima aparece tentando escalar um portão em uma tentativa desesperada de fuga enquanto grita por “socorro”. Seu ex-companheiro, identificado como Deivit, de 36 anos, surge em um carro branco e a confronta ironicamente: “Vai continuar gritando socorro?”.
Após cair do portão, Priscila foi atingida por chutes e pontapés até ficar desacordada. O agressor a colocou no veículo e a levou ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli. A equipe médica, porém, constatou que a vítima já chegou à unidade sem vida.
Provas e Detenção:
Flagrante: Deivit foi preso dentro do hospital pela Polícia Militar.
Evidências: No carro do suspeito, a perícia encontrou vestígios de sangue e um galão de gasolina.
Status Jurídico: O caso foi registrado como feminicídio no 73º DP e o homem permanece à disposição da Justiça.
O Caso Tainara: Crueldade na Marginal Tietê
A tragédia de Priscila ecoa a morte de sua amiga, Tainara Souza Santos, de 31 anos. Em 29 de novembro do ano passado, Tainara foi atropelada na Marginal Tietê por Douglas Alves da Silva, de 26 anos.
O crime chocou a cidade pela frieza: após o impacto, o motorista arrastou o corpo de Tainara por uma longa distância pela via. A vítima lutou pela vida durante quase um mês no Hospital das Clínicas, passando por quatro cirurgias e sofrendo a amputação das duas pernas. Ela não resistiu e faleceu na véspera de Natal.
O agressor, Douglas, é réu por feminicídio e homicídio.
Ele permanece detido no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos.
Um Padrão de Violência
A conexão entre as duas vítimas ressalta a vulnerabilidade feminina e a letalidade do machismo. Enquanto Tainara foi vítima de um ataque em via pública após uma saída noturna, Priscila foi caçada pelo ex-companheiro que não aceitava o fim do relacionamento ou buscava exercer controle absoluto sobre sua vida.
Especialistas e movimentos sociais reforçam que casos como esses não são isolados, mas o ápice de um ciclo de agressões que muitas vezes começa com ameaças e controle psicológico.
Canais de Ajuda:
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar em casos de emergência).






