RIO DE JANEIRO – O que deveria ser um desfile de afirmação no Grupo Especial transformou-se em um pesadelo técnico e político para a Acadêmicos de Niterói. Na apuração realizada nesta quarta-feira de cinzas (18), na Praça da Apoteose, a escola da “Cidade Sorriso” amargou a última colocação, confirmando seu retorno à Série Ouro no próximo ano.
O erro de cálculo: Ideologia vs. Técnica
A escola apostou alto no enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. No entanto, o “tiro saiu pela culatra”. Ao levar para a Sapucaí sátiras ácidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado como um palhaço com tornozeleira eletrônica e críticas diretas ao agronegócio e a grupos religiosos, a agremiação dividiu a arquibancada e, o mais grave, não convenceu os jurados.
“O Carnaval é um espetáculo visual e rítmico. Quando a mensagem política se sobrepõe ao acabamento das alegorias e à harmonia do desfile, a punição na nota é inevitável”, comentou um dos especialistas da LIESA durante a transmissão.
Os pontos críticos do rebaixamento
A queda da Acadêmicos de Niterói não foi apenas uma questão de “opinião”, mas de falhas técnicas claras. A escola perdeu décimos decisivos em quesitos fundamentais:
Alegorias e Adereços: Carros com problemas de finalização e acabamento irregular foram punidos severamente pelo júri.
Enredo: A narrativa, que misturava a biografia do atual presidente com ataques diretos a opositores, foi considerada confusa e pouco linear.
Evolução: O clima de tensão e a divisão entre aplausos e vaias prejudicaram a fluidez do desfile, gerando buracos entre as alas que custaram pontos preciosos.
O veredito das notas
Com apenas 264.6 pontos, a Niterói ficou isolada na lanterna. Enquanto a Unidos do Viradouro celebrava o título com perfeição técnica, a Acadêmicos de Niterói agora enfrenta uma dura reestruturação para tentar voltar à elite em 2028.

O preço da polarização
O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói serve como um alerta para as escolas que buscam o “choque” em vez do rigor plástico. Em um Carnaval cada vez mais profissionalizado e técnico, a política partidária explícita provou ser um samba-enredo difícil de sustentar na ponta do lápis dos jurados.






