Enquanto o Amazonas se prepara para o tabuleiro eleitoral de 2026, as respostas para os problemas estruturais do estado parecem ecoar com mais força onde o asfalto não chega. No terceiro dia de sua incursão pelo Alto Solimões, a pré-candidata ao governo, Professora Maria do Carmo (PL), aportou em São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá, mergulhando em uma das regiões de maior densidade indígena do planeta.
O ponto alto da agenda ocorreu na quinta-feira (22/01), na comunidade de Betânia. Lá, em meio a cinco mil moradores da etnia Tikuna, a pré-candidata não encontrou apenas números eleitorais, mas um retrato da estagnação amazônica.
“Miséria em Meio à Riqueza”
A fala de Maria do Carmo na comunidade foi pautada pela indignação. Ao apresentar suas propostas, a professora destacou o paradoxo de um estado bilionário que condena seu povo ao isolamento técnico e sanitário.
“Somos um Estado repleto de riquezas, mas nosso povo vive na miséria. Sem infraestrutura, sem ensino superior e sem saúde digna. Isso é uma vergonha”, disparou a pré-candidata, reforçando que seu plano de governo será regionalizado para atacar os gargalos específicos de cada calha de rio.
O Aval dos Guardiões da Floresta
A política tradicional costuma passar pelas sedes dos municípios, mas Maria do Carmo buscou o ouvido dos anciãos. Henrique Salvador, de 79 anos, um dos fundadores de Betânia, sintetizou o sentimento de esquecimento que atravessa décadas: “De lá pra cá, mudou um bocadinho. Não mudou muito”.
Para o líder Tikuna, a solução pode estar na mudança de gênero no comando do estado. Henrique acredita que a “garra feminina” é o ingrediente que falta para que o cuidado chegue tanto aos centros urbanos quanto às aldeias mais remotas.
Estratégia: Um Plano, Duas Realidades
Ciente de que o interior não pode ser tratado como um bloco único, a Professora Maria do Carmo detalhou que seu plano de governo está sendo fatiado em macro-regiões. A ideia é mapear as potencialidades locais, como a produção rural do Alto Solimões, e casá-las com soluções de segurança e logística, problemas crônicos que sufocam o desenvolvimento da fronteira.









