Manaus | 26 de julho de 2026 | 06:05:10

Corte de árvore em cartão-postal de Manaus gera revolta e divide opiniões

A retirada de uma árvore de grande porte na orla da Ponta Negra, um dos principais cartões-postais da capital amazonense, provocou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a preservação ambiental em áreas urbanas. Imagens do corte do exemplar circularam amplamente nesta semana, gerando críticas de moradores, ambientalistas e frequentadores do local.

Segundo relatos de internautas, a árvore retirada seria uma samaúma, espécie símbolo da Amazônia, conhecida por seu porte imponente, valor cultural e importância ecológica. Considerada sagrada por povos indígenas, a samaúma pode atingir até 60 metros de altura e desempenha papel essencial na regulação térmica, além de contribuir para o equilíbrio ambiental em regiões urbanas.

A indignação popular ganhou força por se tratar, segundo frequentadores, de um dos últimos exemplares remanescentes da vegetação original da área da Praia da Ponta Negra, hoje marcada por intensa urbanização. Para muitos, a retirada representou mais uma perda ambiental em um espaço já bastante modificado pela ação humana.

Posicionamento da prefeitura

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que a supressão da árvore seguiu critérios técnicos e foi necessária por motivos de segurança.

De acordo com a pasta, o exemplar apresentava óbito fisiológico, ou seja, já não possuía condições de sobrevivência.Durante a vistoria técnica, foram identificados:desprendimento avançado da casca;exposição do lenho;ausência de tecido cambial ativo;necrose generalizada dos ramos;risco iminente de queda sobre pedestres e veículos.

Ainda segundo a secretaria, a decisão levou em conta o Plano Diretor de Arborização Urbana, que permite a retirada de árvores quando não há possibilidade de recuperação e quando há risco à integridade da população.

Debate entre preservação e segurança.

O caso reacendeu uma discussão antiga em Manaus: como conciliar a preservação ambiental com o crescimento urbano e a segurança pública. Especialistas defendem que, sempre que possível, deve haver transparência, estudos prévios e compensação ambiental, como o plantio de novas árvores nativas.

Para moradores e ambientalistas, a situação reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de manutenção preventiva da arborização urbana, evitando que árvores cheguem a estágios irreversíveis de deterioração.

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