A escola de samba Acadêmicos de Niterói decidiu recuar e não seguirá com a captação dos R$ 5.161.428,00 autorizados pelo Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, para o seu desfile de 2026. A verba, que serviria para custear o enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se alvo de intensas críticas e questionamentos sobre o uso de incentivos fiscais para exaltação de autoridades em exercício.
A autorização para o projeto, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, havia sido publicada no Diário Oficial em meados de dezembro. No entanto, diante da forte pressão da opinião pública e do desgaste político gerado pela cifra milionária, a agremiação optou por desistir do benefício federal.
Pressão e Inviabilidade
Oficialmente, a escola alega que o prazo para captar os recursos junto a empresas privadas seria muito curto até o desfile em fevereiro. Contudo, nos bastidores do Carnaval carioca, o comentário é que a exposição negativa pesou na decisão. O uso da Lei Rouanet para homenagear o presidente no ano que antecede as eleições de 2026 vinha sendo monitorado de perto por parlamentares da oposição.
Ao abrir mão do valor, a escola tenta desvincular a imagem do desfile de uma possível “dependência” de incentivos federais diretos, que vinham sendo classificados por críticos como um uso político da máquina cultural.
Fiscalização no Congresso
O caso já havia chegado ao Congresso Nacional, onde deputados da oposição protocolaram requerimentos de informação para detalhar os critérios técnicos que levaram o Ministério da Cultura a aprovar o teto máximo de captação para uma escola que acaba de subir para o Grupo Especial.
Mesmo sem o aporte da Lei Rouanet, a Acadêmicos de Niterói mantém o enredo sobre o petista, mas agora sob o desafio de financiar a estrutura que promete ser grandiosa, sem o polêmico incentivo fiscal da União.





