A semana começou sob clima de confronto aberto em Brasília. A bancada do PL decidiu partir para o “tudo ou nada” para tentar pautar a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, proposta que, segundo aliados, também beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo lideranças do PL, a estratégia agora é “expor” o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como o responsável por impedir a votação. Parlamentares afirmam nos bastidores que já existe número suficiente para aprovar o projeto, caso seja colocado em plenário.
A disputa dentro da Câmara
Hugo Motta, no entanto, resiste. Ele aguarda que o relator da proposta, Paulinho da Força (Republicanos-SP), consiga convencer os bolsonaristas a aceitarem uma solução alternativa: redução de penas, e não uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, como exige o núcleo bolsonarista.
Aliados de Motta argumentam que, mesmo que a proposta passasse na Câmara, ela travaria no Senado e abriria uma nova crise institucional com o STF, que já sinalizou considerar o texto inconstitucional.
Mesmo assim, a base bolsonarista acredita que a pressão pública, especialmente após os ataques recentes do PT ao presidente da Câmara, pode virar o jogo.
Rompimento aberto com o PT
O ambiente de tensão ganhou novos capítulos nesta segunda-feira (24/11), quando Hugo Motta confirmou ter rompido relações com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ).
O atrito entre os dois vinha se agravando desde a escolha do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) como relator do PL Antifacção, decisão que irritou o governo Lula. Lindbergh passou a criticar Motta publicamente, afirmando que ele teria feito “uma lambança” ao entregar a relatoria a um aliado bolsonarista em um projeto de autoria do Executivo.
A situação piorou quando declarações do próprio presidente Lula disse que o Congresso vive um momento de “baixo nível”, ecoaram entre aliados de Motta, aumentando o distanciamento entre o comando da Câmara e o Palácio do Planalto.
Internamente, o rompimento é dado como definitivo.
Um interlocutor de Motta disse: “Não tem mais negociação com ele. O presidente da Câmara não acolhe nada que venha do líder do PT.”
Crise em escalada
O impasse sobre a anistia ocorre em meio a um cenário de desgaste crescente entre Executivo e Legislativo. A ofensiva bolsonarista promete elevar ainda mais a temperatura política nesta semana, pressionando Motta e testando os limites entre o Congresso, o governo e o STF.
Nos bastidores, a avaliação é unânime: uma crise já está instalada e o desfecho pode mexer no equilíbrio de forças em Brasília.






