Manaus | 3 de junho de 2026 | 03:38:39

STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro e sinaliza semana decisiva para ex-presidente

Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Foto: Cristiano Mariz

Nesta segunda-feira (24), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL). A medida mantém o ex-presidente detido, reforçando a decisão tomada pelo relator Alexandre de Moraes, que havia convertido a prisão domiciliar em preventiva.

O julgamento ocorre em plenário virtual, formato que permite registro de votos até as 20h, sem debates presenciais entre os ministros. A Turma é formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Motivos da manutenção da prisão

Alexandre de Moraes destacou que Bolsonaro desrespeitou repetidamente medidas cautelares, incluindo a violação dolosa da tornozeleira eletrônica, que ele próprio admitiu ter mexido. Para Moraes, o ato configurou “falta grave e desrespeito à Justiça”.

O ministro Flávio Dino também reforçou a necessidade de manter a prisão, citando não apenas a violação do equipamento, mas a convocação de vigílias por aliados e familiares, que aumentam o risco de confrontos e atos violentos. Segundo ele, a movimentação de grupos de apoiadores poderia gerar invasões e colocar em perigo policiais e moradores, incluindo a residência do ex-presidente.

“Se fosse apenas um ato religioso, a análise poderia ser diferente. Mas o cenário real envolve retóricas de guerra, ódio e confrontos físicos”, afirmou Dino.

Cristiano Zanin e Cármen Lúcia seguiram o entendimento da manutenção da prisão.

O contexto do caso

A prisão preventiva foi decretada na madrugada de sábado (22), com base em indícios de violação da tornozeleira e no risco de planejamento de fuga, evidenciado pela vigília convocada por Flávio Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente alegou que a tentativa de abrir o equipamento se deu por “confusão mental” e interação medicamentosa. Bolsonaro afirmou que acreditava haver uma escuta na tornozeleira e que tentou apenas abrir a tampa, não remover o dispositivo.

Segundo os advogados, vídeos da Seape indicam fala arrastada e comportamento “ilógico”, incompatível com tentativa de fuga. Além disso, a defesa ressaltou que ele não poderia deixar sua residência monitorada por policiais federais.

Situação atual

Desde sábado, Bolsonaro cumpre a prisão preventiva em cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A decisão da Primeira Turma reforça a cautela do STF diante de riscos de desobediência e mobilização de apoiadores.

A semana promete ser decisiva para o ex-presidente, enquanto o caso segue repercutindo nacionalmente.

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