A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, afirmou neste domingo (2), durante discurso em evento preparatório da COP30, que a Amazônia brasileira “pulsa no peito de quase 50 milhões de habitantes”, abriga “400 povos indígenas” e reúne “mais de 300 idiomas”. A fala ocorreu no palco principal da conferência, que antecede o encontro climático da ONU marcado para novembro de 2025 em Belém (PA).
No entanto, dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentam números mais baixos do que os citados por Janja. Segundo a prévia do Censo 2022, atualizada em 2023, a Amazônia Legal, formada por nove estados, possui 30,1 milhões de moradores cerca de 20 milhões a menos do que o mencionado no discurso.
Em relação aos povos originários, a primeira-dama mencionou 400 etnias. O Censo identificou 391 povos indígenas em todo o Brasil, com a maioria vivendo na faixa amazônica. O número é próximo ao citado, mas ainda inferior ao apresentado no evento.
Sobre diversidade linguística, Janja afirmou que a região reúne “mais de 300 idiomas”. O IBGE contabiliza 295 línguas indígenas no país. Especialistas apontam que, embora o bioma concentre a maior parte dessas línguas, nem todas estão exclusivamente na Amazônia.
Com tom emotivo, Janja disse que a floresta é “o coração do planeta” e defendeu o protagonismo feminino na defesa ambiental. “Sem mulher, não tem floresta em pé”, declarou, sendo bastante aplaudida.
A fala integrou uma série de apresentações do governo federal destinadas a reforçar o compromisso brasileiro com o combate ao desmatamento, a bioeconomia e a participação social na preservação amazônica. A assessoria da Presidência foi procurada para comentar as diferenças entre os dados oficiais e os citados pela primeira-dama, mas não respondeu até a publicação desta matéria.
Organizações socioambientais reconhecem que a Amazônia permanece como maior centro de diversidade cultural do Brasil e um dos mais importantes do mundo, destacando que a precisão de informações estatísticas é essencial para políticas públicas de inclusão e proteção das comunidades que vivem na região.






