O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia se deve oferecer algum tipo de apoio às famílias dos 117 suspeitos mortos na megaoperação policial conduzida pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro.
A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, defende que a União preste assistência formal aos familiares das vítimas, reforçando o papel humanitário do Estado e o compromisso com a defesa dos direitos fundamentais.
Dentro do Palácio do Planalto, porém, a proposta é vista com muita cautela. Assessores próximos ao presidente temem que uma ação direta do governo federal acabe sendo interpretada pela opinião pública como um gesto de solidariedade a criminosos , o que poderia gerar desgaste político e alimentar narrativas de associação do governo ao tráfico e ao crime organizado.
Diante do impasse, o cenário mais provável, até o momento, é o de que não haverá envolvimento direto da União. A avaliação predominante no governo é de que eventuais medidas de reparação ou apoio social deveriam ser conduzidas pelo governo estadual, já que a operação foi de responsabilidade das forças de segurança do Rio de Janeiro.
Mesmo sem decisão oficial, o tema expôs divergências internas no governo Lula entre alas mais ligadas aos direitos humanos e setores preocupados com o impacto político de um gesto considerado sensível em meio ao debate sobre segurança pública.






