Turistas que visitavam o Lago Cuniã, ponto de contemplação natural ligado ao Rio Madeira, em Porto Velho (RO), registraram jacarés circulando com frequência próxima ao deque e às embarcações de passeio. As cenas, publicadas nas redes sociais, reforçam um fenômeno observado nos últimos anos: o aumento expressivo da presença desses répteis na região.
Pesquisadores que atuam na Reserva Extrativista Lago do Cuniã destacam que a área sempre foi habitat do jacaré-açu e do jacaré-tinga. No entanto, a expansão urbana, a maior oferta de alimento e a ausência de predadores naturais próximos criaram um ambiente ainda mais favorável à espécie.
Segundo especialistas, o crescimento populacional pode gerar novos desafios ao turismo local: visitantes podem se aproximar demais, alimentar ou até tentar tocar os animais, aumentando o risco de acidentes. “O jacaré é parte da identidade amazônica, mas precisa ser respeitado com distância. A curiosidade humana pode transformar a beleza da fauna em perigo”, explicou um biólogo ouvido pela reportagem.
Órgãos ambientais discutem estratégias para ampliar monitoramento e campanhas educativas, destacando regras de convivência com a fauna nativa. A medida busca manter o equilíbrio entre a atividade turística e a preservação do ecossistema.
“O Lago Cuniã é um patrimônio vivo. A presença abundante de jacarés é sinal de ambiente saudável — cabe a nós saber conviver”, reforça o especialista.







