Manaus | 5 de junho de 2026 | 05:55:54

Fala sozinho e não aceita a condenação: essa é a rotina de Robinho na cadeia, Segundo Jornalista

Buda Mendes. via: gettyimages

Desde que foi preso no início de 2024 para cumprir a pena de 9 anos por estupro coletivo, o ex-jogador Robinho tem enfrentado dificuldades de adaptação à rotina do presídio de Tremembé, no interior de São Paulo. Segundo o jornalista Ulisses Campbell, autor do livro “Tremembé: O presídio dos famosos”, o ex-atacante vive em isolamento emocional, anda pelo pátio falando sozinho e não aceita a condenação.

“Eu diria que ele não está adaptado. Os últimos relatos que eu tive são de que ele anda pelo pátio falando sozinho”, disse Campbell em entrevistas aos podcasts Flow e Ticaraticacast.

Negação da realidade e sentimento de injustiça

De acordo com o autor, Robinho continua negando a autoria do crime e afirma ter sido condenado injustamente. “Ele não internalizou que cometeu um crime. Ele se diz inocente até hoje. Acha que a condenação foi injusta”, relatou o jornalista.

Essa rejeição à própria situação tem dificultado ainda mais o processo de adaptação ao sistema prisional. Para Campbell, “se adaptar à cadeia é aceitar a condição. No caso dele, isso não aconteceu”.

Privilégios e proteção na cadeia

Apesar das dificuldades emocionais, Robinho tem uma rotina distinta da maioria dos presos. Ele não participa das tarefas comuns, como a limpeza do presídio, e recebe proteção dos demais detentos.

“Ele divide cela com apenas um preso. É tratado como astro. Jogou na Seleção, tem dinheiro, tem status. E dentro da prisão existe uma hierarquia: quem tem dinheiro e fama é protegido por quem está na base”, explicou o autor.

Papel de técnico e conselheiro jurídico

Mesmo isolado emocionalmente, Robinho encontrou formas de manter certa influência dentro do presídio. Ele passou a ajudar outros detentos indicando advogados particulares para quem depende da Defensoria Pública, e também atua como “técnico” em partidas de futebol entre presos e agentes penitenciários.

“Ele escuta os dramas dos presos e tenta ajudar. Isso também o mantém protegido e poupado das tarefas mais duras”, contou Campbell.

Curiosidade dentro e fora das grades

A presença de Robinho também movimentou o presídio. Campbell relatou que até familiares de outros detentos começaram a aparecer nas visitas apenas para vê-lo. “Um preso me disse que o filho, que não o via há um ano, apareceu no presídio só para tentar ver o Robinho”, relatou.

Justiça nega liberdade

No final de agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Robinho. O placar foi de 10 a 1. Apenas o ministro Gilmar Mendes votou a favor da soltura, contrariando o relator, ministro Luiz Fux.

Condenação internacional

O crime pelo qual Robinho foi condenado ocorreu em 2013, na Itália. Após julgamento e esgotamento dos recursos naquele país, a Justiça italiana solicitou à Justiça brasileira a execução da pena, que foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2024. Desde março daquele ano, o ex-jogador cumpre pena em regime fechado no presídio de Tremembé, a cerca de 160 km da capital paulista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens