Manaus (AM) – Sophia Livas de Morais Almeida, uma educadora física de 28 anos, foi presa nesta segunda-feira (19) pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), durante a deflagração da “Operação Azoth”. A prisão ocorreu dentro de uma academia na Zona Centro-Sul da capital, onde ela trabalhava e também costumava se apresentar como médica. A mulher é acusada de atuar ilegalmente como cardiopediatra e atender pacientes em situação de vulnerabilidade clínica, como crianças com autismo e gestantes com fetos cardiopatas.
De acordo com o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pela investigação, Sophia vinha exercendo ilegalmente a medicina há pelo menos dois anos. Durante esse período, ministrava aulas em faculdades, emitia atestados médicos, prescrevia medicamentos de uso controlado — incluindo tarjas pretas — e fazia atendimentos clínicos em casos considerados de alta complexidade.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência da suspeita, os agentes encontraram receituários médicos, crachás, jalecos e documentos que reforçam as evidências do exercício ilegal da profissão. Entre os materiais, estavam inclusive formulários com carimbos de registro médico falsificado.
Casos graves e vítimas diretas
A investigação apontou que Sophia tratou indevidamente ao menos duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo relato do pai, os menores foram medicados com substâncias controladas sem qualquer respaldo legal ou acompanhamento profissional adequado. O caso acendeu um alerta nas autoridades pela gravidade das possíveis consequências clínicas.
Outros dois homens também denunciaram prejuízos diretos: eles afirmam que receberam atestados médicos fraudulentos assinados por Sophia e, ao apresentá-los nas empresas onde trabalhavam, foram demitidos por justa causa. As vítimas agora buscam reparação judicial.
Além disso, Sophia é suspeita de atender gestantes cujos fetos apresentavam problemas cardíacos, oferecendo diagnósticos e tratamentos sem possuir qualquer registro no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) ou formação na área. Ela se identificava como “médica, mestre, doutoranda e pesquisadora” nas redes sociais, e alegava ter acesso direto ao Ministério da Saúde, em Brasília — o que também está sendo apurado pela PC-AM.
Suposto vínculo com o prefeito
Imagens compartilhadas em grupos de mensagens mostraram Sophia ao lado do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Em uma das postagens, ela escreve: “Te amo, tio, tô contigo até embaixo d’água, @TioDavid”. Em outro registro, afirma: “Não escolhi nascer numa família pública”.
A reportagem do portal A Repórter entrou em contato com a assessoria do prefeito para confirmar se há vínculo familiar entre os dois. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
Sem defesa localizada
O G1 tentou contato com a defesa da suspeita, mas não conseguiu localizar nenhum representante legal de Sophia até o fechamento da matéria. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) e o Ministério da Saúde também foram acionados para se posicionar sobre o caso, e os esclarecimentos ainda são aguardados.
Desdobramentos
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outras possíveis vítimas, verificar o eventual conluio de instituições e apurar como Sophia conseguiu manter a atuação ilegal por tanto tempo em setores sensíveis como faculdades e clínicas. Ela responderá pelos crimes de falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e uso de documento falso.





