A editora alemã Mildenberger Verlag, responsável pela publicação de um livro didático que descrevia um personagem infantil brasileiro como alguém que “busca comida no lixo” e “não estuda”, se desculpou pelo conteúdo e afirmou que está revisando o material. Segundo a empresa, a página foi imediatamente ajustada e uma nova versão está disponível para download.
“Recebemos feedback válido sobre a retratação de uma criança brasileira em um de nossos livros escolares. Nunca foi nossa intenção reforçar estereótipos negativos ou transmitir uma representação unilateral. Lamentamos que isto ainda tenha acontecido. Gostaríamos de pedir sinceras desculpas à comunidade brasileira e a todos os leitores afetados”, publicou a Mildenberger Verlag em suas redes sociais.
O caso veio à tona após pais e membros da comunidade brasileira na Alemanha denunciarem o conteúdo do livro didático “ABC der Tiere”, que trazia uma representação considerada ofensiva e simplista do Brasil. A repercussão levou a Embaixada brasileira em Berlim a emitir uma nota de repúdio, criticando a abordagem “insensível e pouco informada” adotada pela editora.
Impacto e reação da comunidade A descrição do personagem brasileiro no material escolar levou colegas de classe a ironizarem uma criança brasileira, desencadeando um caso de bullying. O episódio gerou revolta entre pais e brasileiros residentes na Alemanha, que passaram a questionar a responsabilidade das editoras e escolas na escolha dos livros didáticos.
Grupos de brasileiros na Alemanha organizaram manifestações e utilizaram as redes sociais para cobrar um posicionamento da editora e das autoridades educacionais do país. Comentários de usuários criticaram a abordagem preconceituosa do livro e exigiram uma retratação.
“Diversidade não é sobre pegar um estereótipo e reproduzi-lo nos seus livros”, escreveu uma internauta. Outra usuária alertou para o impacto negativo de materiais didáticos que reforçam ideias xenófobas entre crianças: “Acabei de descobrir como eles aprendem a ser xenófobos na escola na Alemanha! Vergonhoso”.
O debate sobre representatividade em materiais didáticos O caso reacendeu o debate sobre a necessidade de representações mais justas e realistas nos livros escolares. Especialistas em educação alertam para o risco de perpetuação de estereótipos culturais que reforcem desigualdades e preconceitos entre os alunos.
Diante da pressão, a editora afirmou que tem como objetivo “capacitar as crianças na sua abertura e respeito por um mundo diversificado e culturas diferentes”. Entretanto, para muitos brasileiros, o episódio evidencia a necessidade de uma discussão mais ampla sobre a responsabilidade das instituições na formação de uma visão plural e respeitosa sobre diferentes culturas.
A Mildenberger Verlag não esclareceu se haverá uma revisão mais ampla de seus materiais para evitar situações semelhantes no futuro.








