Entre 2000 e 2023, o estado do Amazonas registrou 976 desastres climáticos, com mais da metade das ocorrências relacionadas a inundações, seguidas por estiagens e erosões. Esses eventos extremos, que já afetam a população e a economia local, devem se tornar mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas, mas, surpreendentemente, o estado ainda não possui um plano formal de adaptação e mitigação para enfrentar o problema.
A gestão do governador Wilson Lima, que está em seu sétimo ano de mandato, anunciou que o plano estadual deve ser concluído até o primeiro semestre de 2025. No entanto, a falta de um planejamento eficaz está gerando preocupação entre ambientalistas e especialistas, que alertam para a necessidade urgente de ações coordenadas para lidar com as consequências das mudanças climáticas na região.
A situação é ainda mais crítica diante do impacto dos desastres climáticos na vida da população. A estiagem histórica de 2024, que afetou mais de 800 mil pessoas, gerou prejuízos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão à indústria local. Já as inundações, como a de 2021, causaram danos à agricultura e ao setor pesqueiro, além de agravar problemas de saúde devido à proliferação de doenças transmitidas pela água.
O Amazonas não é o único estado a enfrentar esse desafio. No Brasil, apenas oito dos 26 estados e o Distrito Federal implementaram planos de adaptação às mudanças climáticas, e 19 ainda estão em fase de elaboração ou revisão. Isso reflete uma falta de urgência por parte dos governos estaduais em agir de forma preventiva.
Além disso, o setor energético do Amazonas contribui significativamente para as emissões de gases do efeito estufa, com as termelétricas sendo responsáveis por uma grande parte das emissões de CO² no estado. A geração de energia no Amazonas é predominantemente baseada em gás natural e óleo diesel, com apenas 1,5% da energia proveniente de fontes renováveis, como a solar.
Diante desse cenário, a expectativa é que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em Belém, em 2025, pressione os governos locais a apresentarem soluções mais eficazes para enfrentar os desafios climáticos. Para o estado do Amazonas, essa conferência pode representar uma oportunidade para buscar investimentos e desenvolver projetos que promovam a adaptação às mudanças climáticas e a transição para uma economia mais sustentável.
Enquanto isso, a população e os setores mais vulneráveis continuam enfrentando as consequências de um clima cada vez mais imprevisível, sem a segurança de um plano concreto para o futuro.





