A história de Eunice Paiva, viúva do deputado Rubens Paiva, morto na ditadura civil-militar, ganhou notoriedade mundial com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que recebeu três indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para Fernanda Torres. Mas a resistência feminina ao regime militar brasileiro vai muito além de Eunice. Mulheres desafiaram o papel tradicional que lhes era imposto e atuaram em diversas frentes de resistência: desde clubes de mães, comunidades eclesiais de base, partidos e sindicatos, até a luta armada. Elas também foram as pioneiras na luta pela anistia e denunciaram ao mundo as atrocidades cometidas pelo regime.
A seguir, conheça algumas das mulheres que marcaram a história da resistência no Brasil:
Dilma Rousseff
A ex-presidenta do Brasil iniciou sua militância aos 16 anos e integrou organizações de luta contra a ditadura, como o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Presa e torturada em 1970, sofreu violências físicas e psicológicas, incluindo o pau de arara e choques elétricos. Condenada a seis anos de prisão, teve sua pena reduzida e foi libertada em 1972. Anos depois, tornou-se a primeira mulher a ocupar a Presidência do Brasil.
Zuzu Angel
Estilista renomada, Zuleika Angel Jones usou sua visibilidade para denunciar os crimes da ditadura após a morte de seu filho, Stuart Angel, torturado e assassinado pelo regime. Realizou um desfile de protesto em Nova York com roupas estampadas com imagens de tanques de guerra, anjos amordaçados e meninos presos. Em 1976, morreu em um acidente suspeito, posteriormente reconhecido como um assassinato encomendado pela ditadura.
Eleonora Menicucci
Sociológa e ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora foi presa em 1971 com sua filha de apenas um ano e dez meses. Sofreu torturas enquanto estava detida em várias prisões de São Paulo e Minas Gerais. Após a redemocratização, tornou-se uma das mais ativas feministas do Brasil, lutando pelos direitos das mulheres.
Rose Nogueira
Jornalista e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Rose foi presa em 1969, no mesmo dia da morte de Carlos Marighella. No momento da prisão, seu filho tinha apenas 33 dias de vida. Foi torturada e passou nove meses encarcerada na torre das donzelas do Presídio Tiradentes. Anos depois, trabalhou em grandes veículos de imprensa e se tornou presidenta do Grupo Tortura Nunca Mais.
Rita Sipahi
Militante da Ação Popular (AP) e do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), foi presa em 1971 e torturada no DOI-Codi. No cárcere, conheceu seu futuro marido, Alípio Freire. Após a anistia, tornou-se advogada de presos políticos e foi conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
Amelinha Teles
Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi presa e torturada em 1972, junto com seu marido. Seus filhos, Edson e Janaína, com 4 e 5 anos, também foram sequestrados e levados ao DOI-Codi, onde testemunharam as torturas contra os pais. Anos depois, moveu a primeira ação contra um torturador da ditadura, Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Inês Etienne Romeu
Única sobrevivente da Casa da Morte, centro clandestino de tortura em Petrópolis (RJ), foi sequestrada e brutalmente torturada por 96 dias. Foi libertada ao fingir aceitar ser uma infiltrada do regime. Anos depois, denunciou os crimes cometidos no local e ajudou a identificar os agentes da repressão.
Helenira Rezende de Souza Nazareth
Vice-presidenta da UNE, militou no PCdoB e foi uma das combatentes da Guerrilha do Araguaia. Em 1972, foi capturada e torturada até a morte. Seu corpo nunca foi encontrado. Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por sua desaparição forçada.
A força feminina na luta contra a repressão
Essas mulheres foram fundamentais na resistência à ditadura, enfrentando ameaças, torturas e o silenciamento imposto pelo regime. Suas histórias reforçam a importância da memória histórica e da luta por justiça, servindo de inspiração para as novas gerações que continuam a defender a democracia e os direitos humanos no Brasil.








