A Amazonas Energia, concessionária responsável pelo fornecimento de energia para mais de 1 milhão de consumidores em 62 municípios do estado, enfrenta uma transição de controle marcada por disputas judiciais e uma crise financeira severa. A empresa foi oficialmente transferida para a Âmbar Energia, do grupo J&F, após decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa medida busca evitar a caducidade da concessão, que seria ainda mais prejudicial aos consumidores.
A mudança ocorre em um cenário de endividamento extremo, com a concessionária acumulando prejuízos de R$ 30 bilhões ao longo de duas décadas, incluindo uma dívida de R$ 10 bilhões com a Eletronorte. Além disso, problemas de gestão e altos índices de perdas não técnicas (furtos de energia) agravaram a situação da empresa, privatizada em 2018. O governo federal flexibilizou obrigações financeiras no valor de R$ 8 bilhões e exigiu um aporte de R$ 10 bilhões pela Âmbar para estabilizar a operação.
No entanto, a transferência foi contestada na Justiça, e a Aneel aprovou o plano sob pressão de decisões judiciais. A nova gestão promete focar na recuperação econômica, melhoria dos serviços e segurança energética no estado. Apesar disso, especialistas alertam que a operação ainda depende de ajustes e aceitação integral por parte da Âmbar, que deve desistir de ações judiciais pendentes para consolidar o acordo.
Para a população amazonense, a expectativa é de melhoria na qualidade do serviço, mas o cenário de incertezas financeiras e legais ainda preocupa. Caso a transição falhe, custos de até R$ 20 bilhões poderiam ser repassados aos contribuintes nacionais, representando um impacto severo no sistema elétrico brasileiro.





