Manaus | 20 de agosto de 2026 | 19:05:49

Mais de 1,7 mil jornalistas foram mortos em 20 anos em todo o mundo

Em um levantamento alarmante divulgado pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) nesta sexta-feira (13), foi revelado que, nos últimos 20 anos, mais de 1.700 jornalistas perderam a vida enquanto trabalhavam ou em razão de suas funções. O ano de 2024 registrou o maior número de jornalistas mortos no contexto de conflitos armados, com 54 vítimas fatais – 52 homens e duas mulheres. Esses dados destacam a crescente violência e o risco que os profissionais da imprensa enfrentam ao exercer seu trabalho, principalmente em zonas de conflito.

O diretor do escritório da RSF para a América Latina, Artur Romeu, afirmou que, até 1º de dezembro de 2024, 31 jornalistas foram mortos em zonas de conflito, com destaque para a Palestina, onde 16 jornalistas perderam a vida cobrindo o confronto entre Israel e o Hamas. Romeu também ressaltou que as forças armadas israelenses são apontadas como a “principal agressora da liberdade de imprensa” no contexto desse conflito.

Ataques Diretos a Jornalistas

O relatório destaca que muitos jornalistas foram atacados diretamente, com o objetivo de transformá-los em reféns ou em alvos para atingir objetivos políticos específicos. “Não estamos falando de vítimas colaterais, mas de ataques direcionados, em que os profissionais da mídia se tornaram alvos estratégicos”, enfatizou Romeu.

Além das mortes na Palestina, jornalistas foram assassinados em vários outros países, incluindo Paquistão (sete), Bangladesh (cinco), México (cinco), Sudão (quatro) e outros locais de conflito, como a Birmânia, Colômbia, Ucrânia e Chade. Esses números ressaltam a abrangência global do problema, com o jornalismo enfrentando riscos em diversas partes do mundo.

Reféns e Jornalistas Presos

Além dos assassinatos, o relatório da RSF também registrou o aumento no número de jornalistas presos e sequestrados. Em 2024, 550 jornalistas estavam ou estiveram encarcerados devido ao exercício de sua profissão, o que representa um aumento de 7,2% em relação a 2023. A China lidera o ranking de países com maior número de jornalistas presos, com 124 casos, seguida por Birmânia e Israel.

Além disso, 55 jornalistas foram sequestrados neste ano, com destaque para a Síria, onde o Estado Islâmico continua sendo o principal responsável pelos sequestros. A RSF também apontou 95 jornalistas desaparecidos, com o México registrando o maior número de casos de desaparecimento de profissionais da imprensa, com 30 jornalistas sumidos.

A Regulação das Redes Sociais e os Desafios para a Imprensa

O Brasil, embora não tenha sido mencionado diretamente no relatório, foi citado por Artur Romeu, que destacou a crescente onda de ameaças e ataques digitais contra jornalistas, especialmente durante o período eleitoral. A RSF se posiciona favoravelmente à regulamentação das redes sociais, defendendo maior responsabilidade das plataformas digitais pelo conteúdo circulante, que muitas vezes serve para incitar ataques e desinformação.

Romeu também expressou preocupação com a possível volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, observando que sua retórica hostil à imprensa, que classifica jornalistas como inimigos do povo, pode aumentar ainda mais o ambiente de hostilidade global contra os profissionais da mídia.

O Futuro da Liberdade de Imprensa

A RSF tem se mostrado cada vez mais preocupada com o cenário de instabilidade crescente, especialmente no Oriente Médio, e com a intensificação da violência contra jornalistas em zonas de conflito. A organização alerta para a complexidade da situação, onde a proteção e a liberdade de imprensa se tornam cada vez mais difíceis, e os jornalistas são vistos como alvos estratégicos, em muitos casos, com consequências fatais.

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