O presidente da França, Emmanuel Macron, rejeitou os apelos por sua renúncia e iniciou, nesta sexta-feira, sua busca por um novo primeiro-ministro para liderar o Parlamento, que permanece dividido e indisciplinado. A crise política, acentuada pela destituição do primeiro-ministro Michel Barnier após um voto de desconfiança, foi impulsionada, segundo Macron, por uma “frente antirrepublicana” formada pela extrema-direita e extrema-esquerda, que busca semear o caos político.
Em um discurso transmitido no horário nobre na quinta-feira, Macron anunciou que indicaria um novo primeiro-ministro nos próximos dias. A escolha ocorre após o descontentamento generalizado com o projeto de Orçamento para 2025, que propõe austeridade nas finanças públicas, uma medida que levou à queda de Barnier. O governo agora enfrenta o desafio de reunir apoio suficiente no Parlamento para aprovar a proposta orçamentária.
A esperança de Macron está voltada para o Partido Socialista, um aliado de esquerda moderada que possui 66 cadeiras na Assembleia Nacional. Embora os socialistas tenham votado contra Barnier, sinalizaram uma possível colaboração com o governo se houver um novo primeiro-ministro. Para que a proposta de Macron tenha êxito, ele precisa garantir apoio para evitar moções de desconfiança da extrema-direita, liderada por Marine Le Pen, e da extrema-esquerda, representada pelo movimento França Insubmissa.
O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, afirmou que sua principal exigência seria um primeiro-ministro de esquerda. Faure também indicou disposição para negociar outras pautas, incluindo a reforma da previdência, tema polêmico que tem gerado divisões no governo. Apesar das negociações, Faure destacou que sua lealdade a Macron não significa uma adesão plena à sua agenda, afirmando que a situação do país exige responsabilidade, mas sem abrir mão de suas próprias propostas.
Macron, por sua vez, rejeitou a culpa pela crise política. Em seu discurso, afirmou estar ciente das críticas que o responsabilizam pela atual situação, mas defendeu que a crise foi provocada pelas ações de parlamentares, especialmente da extrema-direita e extrema-esquerda, que buscam minar a governabilidade para favorecer seus interesses eleitorais, em especial para as eleições presidenciais de 2027.
Apesar das pressões para que renunciasse antes do fim de seu mandato, Macron reafirmou seu compromisso de cumprir o mandato até o final, em 2027. O presidente também indicou que, nos próximos dias, apresentará um novo primeiro-ministro e trabalhará para implementar um projeto de lei orçamentária que busque transferir as responsabilidades financeiras para o ano seguinte, a fim de evitar que a crise política impacte ainda mais a economia francesa.






