Manaus | 4 de agosto de 2026 | 07:50:26

Estudo aponta que Mata Atlântica tem menos de 30% de vegetação nativa

Nesta terça-feira (26),uma análise divulgada pela Mapbiomas , a Mata Atlântica foi o bioma que mais sofreu alterações na cobertura e uso da terra no Brasil entre 1985 e 202 . Em 39 anos, a área agrícola no bioma aumentou em 91%, enquanto a vegetação nativa teve alguma recuperação em 45% dos municípios após a implementação do Código Florestal. No entanto, a cobertura vegetal preservada da Mata Atlântica atualmente é de apenas 31%, com 67% de sua área ocupada por atividades humanas. Durante o período analisado, o bioma perdeu 10% de sua vegetação, o equivalente a 3,7 milhões de hectares.

O estudo revela que, atualmente, 60% dos municípios onde a Mata Atlântica está presente mantêm menos de 30% de vegetação nativa. Embora tenha ocorrido recuperação em alguns estados, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo, a perda de cobertura natural foi significativa, especialmente nas áreas de floresta, savana, mangue e restinga arbórea, que sofreram uma redução de 2,7 milhões de hectares. A formação campestre, embora tenha perdido uma área menor, teve a maior diminuição proporcional, com 27% de sua extensão convertida para agricultura e pastagem.

A pressão humana sobre a Mata Atlântica continua sendo intensa, com a agricultura avançando em áreas antes ocupadas por vegetação nativa. Entre 1985 e 2023, a área agrícola na região aumentou de 10,6 milhões para 20,2 milhões de hectares, com destaque para o avanço do cultivo de soja e cana-de-açúcar, que juntos representam 87% das lavouras temporárias no bioma. Além disso, a silvicultura também cresceu, com 3,6 milhões de hectares de florestas plantadas, representando 50% da prática no país. Apesar disso, o desmatamento na Mata Atlântica teve uma redução significativa em 2023, com uma queda de 49% em comparação ao ano 2000. Para Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, a diminuição do desmatamento e a restauração em larga escala são essenciais para garantir o futuro do bioma e contribuir para enfrentar as crises climáticas e da biodiversidade.

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