Manaus | 22 de julho de 2026 | 07:14:00

Brasileiras denunciam assédio no Futebol Japonês

A equipe da segunda divisão da Liga de Futebol Feminino Nadeshiko, no Japão. Em uma coletiva de imprensa realizada na cidade de Izumo, as atletas detalharam o ambiente tóxico que marcou sua jornada no clube, apontando práticas abusivas por parte do treinador e do técnico. A denúncia das brasileiras chama atenção para o assédio no futebol internacional e para a vulnerabilidade das atletas que atuam fora de seu país de origem.

Laura, de 26 anos, e Thays, de 25, foram contratadas pelo Diosa Izumo FC com a promessa de um ambiente profissional e apoio, inclusive com a presença de um intérprete, fundamental para que compreendessem as instruções dadas em japonês. Contudo, a realidade foi bem diferente. Segundo o documento de denúncia encaminhado à Liga de Futebol Feminino do Japão, a presença do intérprete era limitada a uma vez por semana, deixando as atletas sem suporte linguístico na maior parte do tempo. Esse isolamento linguístico resultou em zombarias e comportamentos abusivos, com o treinador frequentemente utilizando palavras de cunho sexual, como referências ao órgão masculino, para repreendê-las em caso de erros.

O relato das jogadoras também inclui ameaças explícitas feitas pelo treinador, que afirmou que elas poderiam ser removidas dos jogos caso tentassem relatar os abusos diretamente ao presidente do clube. Além disso, o técnico, por diversas vezes, ironizou a capacidade de compreensão das jogadoras, fazendo gestos de desprezo e perguntas sarcásticas sobre se “entendiam” as instruções.

A pressão psicológica resultante do tratamento recebido levou as atletas a serem diagnosticadas com transtorno de estresse agudo em julho deste ano. Em agosto, elas decidiram deixar o time e buscaram tratamento psiquiátrico, enquanto tentavam, por meio de seu advogado e do oficial de bem-estar do clube, solucionar a situação. No entanto, as respostas do clube foram constantemente adiadas, impossibilitando que retornassem aos jogos nesta temporada. Em sua defesa, o Diosa Izumo FC afirmou que não havia encontrado evidências dos abusos relatados em sua investigação interna e negou o assédio sexual. Ainda assim, o clube reconheceu que falhou em garantir a presença do intérprete conforme o contrato. Atualmente, uma nova investigação está sendo conduzida pela Liga Nadeshiko, mas o

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