O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), confirmou nesta terça-feira, 29, o nome do deputado Hugo Motta(Republicanos-PB) como seu candidato à sucessão no comando da Casa. A oficialização ocorre quase dois meses após o início das articulações em favor do paraibano.
O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) é conhecido pelo ótimo trânsito na Casa, nos mais diversos espectros e pelo bom relacionamento com o setor privado. Seu nome já era ventilado como uma possível junção de forças desde muito antes de o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), abrir mão da candidatura em prol do paraibano.
Com discurso conciliador, Motta tem se apresentado como um candidato que buscará consenso “da extrema direita à extrema esquerda” e que combaterá a “agenda de radicalização”. O candidato diz que a sua candidatura deve representar uma agenda propositiva e o diálogo com os demais Poderes.
Vale destacar que, caso seja eleito, o parlamentar será o mais jovem presidente da história da Câmara dos Deputados. Em 2010, ele foi o deputado federal mais jovem a ser eleito no Brasil, com apenas 21 anos – idade mínima permitida.
Hugo Motta é próximo do setor do agronegócio, do setor financeiro e do setor imobiliário. Neste ano, foi criticado pela imprensa local na Paraíba ao apresentar um projeto de lei com a proposta de permitir aos bancos a utilização do FGTS como garantia para empréstimo consignado. Após a repercussão e de ser acusado de trabalhar a favor do setor financeiro, o parlamentar retirou o projeto.
Se por um lado o nome do parlamentar é defendido dentro do governo pelo perfil de diálogo, por outro, há quem se preocupe com o relacionamento próximo do parlamentar com o ex-deputado Eduardo Cunha – considerado no PT como “algoz” da ex-presidente Dilma Rousseff. O parlamentar é considerado pupilo do político que presidiu a Câmara dos Deputados de 2015 a 2016. Motta foi também presidente da CPI da Petrobras, que contribui para o desgaste político que levou à queda de Dilma.
Outro grande cacique que está por trás da candidatura é o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI).
A avaliação entre lideranças partidárias é a de que Motta segue favorito e que o avanço da sigla de Gilberto Kassab em prefeituras do país só reforçaria o interesse do centrão em manter o cargo longe da influência do PSD.
Motta segue mantendo indicativo de apoio do maior número de partidos da Câmara, em um arco de alianças que até aqui se estende do PL de Jair Bolsonaro ao MDB de Ricardo Nunes, com a bênção do PP de Lira.
Hoje a necessidade maior é buscar e reforçar a aliança com partidos de centro a partir da mudança nas mesas.
Vale lembrar que além de ter se tornado o partido de maior capilaridade nacional, o PSD ocupa a vice do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nome favorito da oposição atualmente para disputar contra Lula em 2026.
O presidente da República, por sua vez, parece estar apostando na confusão para tornar o PT o fiel da balança em uma disputa que se desenhava complexa para o governo nos últimos meses.
O líder da bancada, Odair Cunha, chegou a indicar publicamente o apoio ao nome de Motta — tanto em um almoço que selou o bloco de aliança próximo ao candidato do Republicanos, com Lira incluído, quanto em publicação nas redes sociais. O deputado federal, no entanto, teve que apagar a mensagem em meio a indefinição no partido, que só pretende fechar questão sobre o tema no fim do ano.









