O sigilo que envolvia o processo sobre a morte da ex-sinhazinha Didja Cardoso foi derrubado pela Justiça do Amazonas na última quinta-feira (29). Com mais de 2 mil páginas, o processo agora expõe depoimentos estarrecedores, incluindo relatos de testemunhas que afirmam ter presenciado Cleusimar, mãe de Didja, torturando a própria filha, que já se encontrava em estado debilitado.
Em um dos depoimentos mais impactantes, uma ex-empregada doméstica que trabalhava na residência onde Didja foi encontrada morta revelou como a ex-sinhazinha e sua família se envolveram com drogas. A testemunha afirmou que presenciou encontros de uma seita religiosa no local, onde mais de 10 pessoas consumiam cetamina e compartilhavam seringas.
A ex-empregada também descreveu momentos em que Didja foi vítima de tortura pela própria mãe. Segundo seu relato, Cleusimar “assanhava” os cabelos da filha e, em seguida, beliscava e torcia o braço de Didja, que já estava fisicamente fragilizada.
Outro detalhe revelado no processo é o esquema de compra de drogas pela família. De acordo com a testemunha, Didja e seu irmão adquiriam cetamina e potenay por telefone utilizando códigos: “DJEY” para cetamina e “NAY” para potenay. A divisão das substâncias entre os membros da família era rigorosa: 20 ml para Didja e seu irmão, enquanto a mãe recebia 10 ml.
A ex-empregada relatou ainda que tentou convencer Didja a deixar a casa, mas seus esforços foram frustrados por Verônica Seixas, gerente do salão de beleza da família, que teria persuadido Didja a permanecer na residência.
Veja o depoimento


Relembre o caso:
O caso de Didja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, ganhou grande repercussão após sua morte em 28 de maio de 2024. A investigação revelou um ambiente de abuso de drogas e práticas religiosas suspeitas dentro de sua família. Didja, sua mãe, Cleusimar, e seu irmão, Ademar, estariam envolvidos em uma seita que utilizava cetamina e outras substâncias em rituais.
Testemunhas relataram tortura física e psicológica, com Cleusimar sendo acusada de agredir a filha, que já estava debilitada. Além disso, a investigação apontou para o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas relacionadas à seita. Até o momento, 11 pessoas foram indiciadas, incluindo Cleusimar e Ademar, e novas prisões ocorreram, incluindo ex-namorados de Didja e funcionários de uma clínica veterinária, suspeitos de fornecer cetamina.
A polícia ainda investiga o real envolvimento de cada um dos acusados, e a causa exata da morte de Didja permanece inconclusiva, mas há fortes indícios de que a overdose de cetamina foi um fator determinante.






