O planeta está doente. A realidade é essa. Ninguém mais suporta as altas temperaturas que as principais cidades do mundo têm registrado nos últimos anos. Em Manaus, a falta de água por mais de 24 horas, aliada a interrupção de energia, tem feito as pessoas acharem que estão vivendo numa panela de pressão, e a saúde de muitos é gravemente afetada.
Em meio ao cenário de mudanças climáticas, o Festival Folclórico de Parintins serviu como palco para um chamado urgente. O anúncio feito durante a apresentação do Boi Caprichoso de que a temperatura global poderá aumentar 1.5 graus em apenas cinco anos e 21 dias ressoa como um alerta vermelho para todos nós. O calor excessivo durante o festival, algo notado por quem freqüenta há décadas, causou mal-estar até mesmo aos participantes, como o lendário levantador de toadas, David Assayag.
A performance de Assayag, interrompida devido às condições extremas de calor, pode ser vista como um grito de socorro simbólico. A toada “Terra: Nosso Corpo, Nosso Espírito” entoada pelo levantador de toadas do Boi Caprichoso ecoou para além dos limites da Ilha. Nela, nota-se um clamor por resistência contra a exploração desenfreada dos recursos naturais e a ganância que desconsidera os impactos sobre a saúde da terra, da fauna e da flora.
O problema transcende as fronteiras geográficas e culturais. É uma questão global que exige a união de esforços de todas as nações, culturas e indivíduos. A busca insaciável por minerais e recursos naturais tem levado ao esgotamento de ecossistemas inteiros, comprometendo não apenas o presente, mas também o futuro das próximas gerações.
A mensagem do Festival de Parintins é clara: precisamos proteger nossa casa comum. A nossa Pachamama não é apenas um recurso a ser explorado, mas sim o corpo e o espírito de todos nós. É preciso entender que a relação entre seres humanos e o meio ambiente não pode ser pautada pela sede de poder e lucro, mas sim pela coexistência harmoniosa e sustentável.
Para conseguirmos olhar em direção a um horizonte distante, é essencial sair do discurso para adotar medidas urgentes e eficazes. Ações como a redução das emissões de gases de efeito estufa, a preservação de áreas naturais e o investimento em energias renováveis, aliados a promoção da conscientização e a educação ambiental em todas as esferas da sociedade, precisam se tornar prioridades na vida de todos.
Como dizia Cazuza, o tempo não pára. A crise climática é um desafio que requer não apenas políticas públicas robustas, mas também um compromisso coletivo e individual com o futuro do nosso planeta. Proteger a Terra é mais do que uma obrigação, é um imperativo moral e uma responsabilidade para com o ser humano.
Que o grito de socorro de Parintins ecoe em nossas consciências e nos inspire a agir com amor à Terra, nosso único lar, pois ela está clamando por isso.









