O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou nesta última sexta-feira (14) não ser preciso “matar bebê” para se vingar de estuprador. O congressista é um dos coautores do projeto de lei antiaborto de 2024.
“Eu não tenho que matar uma criança para poder me vingar do estuprador, o que a gente precisa é endurecer as penas para o estuprador. Crianças não têm nada a ver com o que aconteceu terrivelmente aqui fora”, disse em seu perfil no X (antigo Twitter).
“O que impede uma mulher de mentir sobre isso [abuso sexual] e cometer aborto?”, disse. Para ele, as discussões estão sendo realizadas porque algumas pessoas querem “a pequenos passos” aprovar o aborto no país. Afirmou que o tema é sensível e que a esquerda se utiliza disso para criar “narrativas mentirosas”.
Por fim, o deputado disse que o debate sobre o aborto tem que ser técnico e real e “não fazer como algumas pessoas que quando vão debater outros temas falam ‘sem útero, sem opinião’”.
Com uma imagem borrada da deputada Erika Hilton (Psol-SP) no vídeo, ele declarou: “Imagina se eu usasse o mesmo critério para essas questões agora, muita gente não poderia estar falando”. Erika Hilton é a primeira deputada federal negra e trans eleita do Brasil. O gênero da deputada já foi tema de embate entre ela e Nikolas. Na quarta-feira (12), Erika acionou o Ministério Público Federal (MPF) contra o deputado por homotransfobia.
O projeto equipara o aborto acima das 22 semanas ao crime de homicídio. Foi aprovado na Câmara dos Deputados o requerimento de urgência do PL em votação relâmpago. Com a urgência, a análise do projeto “antiaborto” é acelerada para ser realizada diretamente em plenário, sem passar por comissões temáticas. Na quinta-feira (13), o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do texto, disse que irá incluir o aumento de pena para o crime de estupro para 30 anos.









