Manaus | 4 de junho de 2026 | 18:33:03

O homem do ônibus

A impressão é que todos em volta estão atrasados. Compromissos inadiáveis impõem senso de urgência no caminhar. Pensamentos estão a mil, as pessoas já não se olham, muitos não percebem nem o que se passa a poucos metros de distância.
As mãos inquietas não largam o celular. Seria uma justificativa para o atraso no trabalho? Uma preocupação com o filho doente em casa? Ou apenas mais uma noticia sobre o caso da ex-sinhazinha que viralizou nas redes?

O mundo hoje está sempre oferecendo milhares de oportunidades para manter a pessoa atrelada a algo que ela não precisaria estar.

E entre engravatados, saltos, chinelos e blusas rasgadas, tem aquele homem do ônibus que, com um olhar distante, vislumbra um futuro que parece ser utópico.
Ele é o retrato do brasileiro médio, pertencente da maior camada da população que não se permite viver, mas apenas sobreviver.
No fundo ele carrega consigo um senso de urgência adormecido, porque o rodo cotidiano não lhe permite olhar além.

Enquanto isso, os poderosos do país, observando tudo de longe, definem o destino dele e de milhares de brasileiros nos “jantares das sextas-feiras”, ocasiões em que os “detentores dos maiores PIBs do Brasil” reúnem-se regados a Brunello di Montalcino e caviar de esturjão, e analisam para onde levar a locomotiva nacional.

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