Ao assistir cenas da tragédia que assola o estado do Rio Grande do Sul nos perguntamos: o que aconteceu? Será que tudo isso realmente está acontecendo? São idosos, PCDs, crianças, mulheres, homens, animais, literalmente, sem ter um teto pra se protegerem da chuva que insiste em cair, sem ter um chão, sequer, pra pisar.
O sofrimento e o sentimento de perda estão estampados no rosto da população gaúcha. São pessoas que passaram a vida inteira para levantar os muros de suas casas próprias que, em questão de horas, caíram tal qual um castelo de cartas.
O que vai acontecer daqui pra frente? E depois que a água baixar, o que vai ser feito? O cotidiano das pessoas afetadas certamente demorará pra voltar a acontecer. Ir pra aula, comparecer à uma consulta, à escolinha de futebol, a brincadeira da criançada no quintal, são uma utopia nesse momento. E isso é incrivelmente chocante.
Não há como prever como essas pessoas sairão psicologicamente desse triste episódio. Não há como saber se sairão mentalmente saudáveis. E não há como não voltar 4 anos e lembrar do que o mundo passou durante a pandemia de Covid-19, porque naquela vez também foram feitas essas mesmas perguntas. E o que mudou?
Temos visto milhares de exemplos de humanidade, de amor ao próximo, de respeito com a própria espécie. Mas, infelizmente, na medida que vemos pessoas revelando a nobreza de suas almas, vemos também o oposto. Chega a ser inacreditável como mesmo com tudo o que passamos na COVID nada foi aprendido por alguns.
A mesquinharia, a falta de caráter, a falta de empatia, de amor ao próximo, ainda permeia o corpo de pessoas inescrupulosas, que se utilizam do sofrimento do outro para ganhar uma repercussão que, de outra forma, não alcançariam. Não se comovem quando uma criança pergunta da mãe: a nossa casa tá normal, mamãe? Quando vamos voltar? Enquanto que, no rosto do seu porto seguro, a lágrima escorre presa, discreta, para seguir a resposta, camuflada de verdade: está sim, filha, do mesmo jeitinho que nós deixamos.
Essa é mais uma oportunidade que a vida nos entrega para evoluirmos, e muitos perderam novamente uma outra grande chance de evoluírem espiritualmente, de deixarem as diferenças de lado e priorizarem o amor, a tolerância, a humildade.
Tentemos outra vez!









