Se por um lado, a eleição para vereadores de Manaus tradicionalmente registra uma renovação de quase 50% das cadeiras, por outro, a de prefeito é quase certa a reeleição. Nas últimas disputas, os manauaras só não reconduziram o prefeito ao segundo mandato uma vez, quando Serafim Corrêa saiu derrotado das urnas em 2008.
Porém, às vésperas do início de mais um período de campanha eleitoral, o que se enxerga é uma disputa que pretende ser acirrada entre o atual prefeito David Almeida, o deputado federal e liderança jovem, Amom Mandel, o ungido pelo ex-presidente, Cap. Alberto Neto, o recordista de votos para deputado estadual, Roberto Cidade, e por que não o escolhido pelo atual presidente, Marcelo Ramos.
David deixa de ser o adversário de Golias como ele se apresentava em outras eleições. Nesta, teoricamente, ele faz o papel de algoz dos outros “Davis”. Mas será que tem elo fraco no pleito? Pelo que se observa, os quatro que prometem embolar a eleição tem suas “máquinas” também, uma realidade praticamente nova nessa disputa manauara, e que coloca uma interrogação na cabeça dos candidatos e suas equipes.
O atual chefe do executivo municipal é o mais experiente entre os candidatos, possui a máquina da prefeitura nas mãos, vem de 4 anos de trabalho nas ruas e aparece com boa aceitação nas pesquisas de opinião. Pesa contra o fato de ser o alvo dos concorrentes, e também de ter derrapado em algumas situações durante a sua administração. O que não é exclusividade de seu governo, afinal quando se é vidraça sempre é muito mais fácil apontar os erros do que elogiar os acertos.
Amom Mandel possui o vigor e a disposição de um homem recém-saído da juventude. Com 23 anos, um caminhão de votos nas costas e uma “retaguarda jurídica-social” poderosa, o vereador mais jovem da história de Manaus já mostrou que tem conteúdo, e que sabe dialogar com uma parcela da população cada vez mais atuante no cenário político.
Outro deputado federal do pleito, Capitão Alberto Neto, é o escolhido do ex-presidente Jair Bolsonaro para assumir o executivo municipal, e com isso herda grande parte dos votos dos eleitores manauaras, que na última eleição presidencial deu o primeiro lugar para o líder da direita brasileira. Muitos podem afirmar que não existe transferência de votos de um candidato para outro, mas certamente Alberto Neto vai ser um dos escolhidos dos órfãos de Bolsonaro.
Já o atual presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade, até agora corre por fora dessa disputa. Aparecendo em quarto lugar nas últimas pesquisas a prioridade do deputado é se manter vivo até o meio do ano. Mostrar crescimento nos próximos levantamentos é essencial para que mantenha o apoio do Governador Wilson Lima. Há que se levar em conta a sua habilidade política, que lhe rendeu em seu primeiro mandato a presidência, tão disputada, do Parlamento Estadual, que lhe fez o deputado recordista de votos no Amazonas, e que lhe reconduziu, por unanimidade, à reeleição da presidência da Assembleia. Roberto Cidade apesar de jovem, tem a perspicácia de políticos experientes, e consegue transitar muito bem entre os mais diversos segmentos sociais.
E ainda tem o Marcelo Ramos, que outrora surgia como um dos expoentes da nova safra de políticos do Amazonas, mas que ao longo de sua jornada fez algumas escolhas que lhe renderam duras derrotas. Apesar disso, ainda goza de prestígio político tanto que conseguiu ser o escolhido do atual Presidente Lula, tendo migrado para o Partido dos Trabalhadores para ser o candidato da esquerda. Expressivo e inteligente, Ramos tem uma excelente oratória e pode incomodar os outros candidatos em possíveis futuros debates.
O dado está girando no tabuleiro político local. Muitos querem avançar as casas, conquistar novos apoios, cair no gosto dos indecisos, mas o fato é que em 2024 teremos uma eleição decidida nos detalhes, em que será preciso utilizar o VAR, mas não o do futebol brasileiro.









