Manaus | 24 de julho de 2026 | 21:53:41

71% das mulheres já sofreram violência no deslocamento, revela pesquisa

A pé, de carro de aplicativo, ônibus e outros meios de transporte, mulheres têm sido importunadas, assediadas e recebido olhares insistentes ou cantadas. Os institutos ouviram de forma online 4.001 mulheres de 18 anos ou mais de todo o país que saem de casa ao menos uma vez por semana. O levantamento foi feito entre 21 de junho e 11 de julho.

Uma pesquisa recente conduzida pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva revelou um cenário alarmante para a segurança das mulheres brasileiras: 71% delas já foram vítimas de algum tipo de violência enquanto se deslocavam. Essa violência inclui desde olhares insistentes e cantadas indesejadas até assédio físico ou verbal, afetando a mobilidade e o bem-estar de milhões de mulheres.

O levantamento, realizado de forma online com 4.001 mulheres de 18 anos ou mais, buscou entender as experiências femininas ao utilizar diferentes meios de transporte. Entre os meios mais mencionados estão deslocamentos a pé, carros de aplicativo e transporte público, como ônibus. A pesquisa foi conduzida entre 21 de junho e 11 de julho e abrangeu mulheres de todas as regiões do país que saem de casa ao menos uma vez por semana.

O estudo destaca que a violência durante o deslocamento não é um evento isolado. Para muitas mulheres, a sensação de insegurança é constante, o que as obriga a tomar precauções adicionais, como evitar sair sozinhas em certos horários ou alterar suas rotas habituais. Em muitos casos, a violência começa com comportamentos aparentemente inofensivos, como olhares insistentes ou comentários sobre a aparência, que rapidamente evoluem para situações de assédio.

Especialistas acreditam que o resultado desse levantamento reflete a necessidade urgente de políticas públicas que protejam as mulheres em espaços públicos e no transporte. “A violência contra a mulher no transporte é uma violação de seus direitos à mobilidade e à segurança. É preciso criar um ambiente onde elas se sintam livres e seguras para ir e vir”, destaca uma das responsáveis pela pesquisa.

Além de evidenciar o tamanho do problema, a pesquisa também serve como um alerta para a sociedade e autoridades. A criação de campanhas de conscientização, maior presença de vigilância em transportes públicos e ações para responsabilizar assediadores são algumas das medidas sugeridas para enfrentar essa questão crescente.

Enquanto isso, mulheres continuam a ajustar suas rotinas para minimizar os riscos e, infelizmente, enfrentar uma realidade onde o simples ato de se deslocar pode ser marcado por experiências traumáticas.

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