Manaus | 4 de junho de 2026 | 20:28:31

Vídeo| População revoltada vai às ruas pedindo justica para Flávio; entenda as contradições do caso

Após ser constatado que não houve invasão e sequestro no condomínio Passaredo, onde reside o filho da primeira-dama de Manaus, o anfitrião Alejandro Valeiko segue sem dar pistas, pelo menos para a sociedade, e causa revolta.

Na manhã desse domingo (6), após a repercussão da decisão da desembargadora que acatou o pedido de habeas corpus ao foragido Alejandro Valeiko, suspeito de ser o autor do assassinato de Flávio Rodrigues, amigos, familiares, internautas, jornalistas, advogados e a população em geral que seguem acompanhando o desfecho do caso (longe de acontecer pelo visto), se revoltaram, e cada um manifestou sua indignação de um jeito diferente, mostrando que não vão aceitar a injustiça que “uma suposta influência poderia estar causando” no crime mais comentado dos últimos tempos.

Manifestação

Em frente a Paróquia Coração Imaculado de Maria, no bairro Morro da Liberdade, bairro onde residia o engenheiro Flávio Rodrigues, morto há uma semana, familiares e amigos se reuniram com cartazes na mão pedindo justiça.

https://youtu.be/l0pW7xr_JR8

Enquanto muitos sofrem na missa de sétimo dia de Flávio, o principal suspeito segue desaparecido. Alejandro que teve a sua prisão decretada na última quinta-feira (3), passou três dias foragido. Familiares informam que o mesmo teria embarcado, após prestar depoimento, para uma clínica de tratamento no Rio de Janeiro, sob responsabilidade do médico Olavo de Campos Pinto Júnior e segue com acompanhamento exclusivo 24h por dia. A defesa alega que Alejandro, filho da primeira dama do Estado do Amazonas Elizabeth Valeiko, não tem condições de colaborar com as investigações, pois é uma pessoa doente, com surtos psicóticos devido o prolongado uso de substâncias químicas, que tem oscilação de humor e, apresentaria riscos a ele e a outas pessoas caso viesse a ir para a cadeia. Portanto, por questões humanitárias, a desembargadora Joana Meirelles saiu no plantão de sábado (5), num habeas corpus criminal apresentado pela defesa de Alejandro ao TJ-AM.

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Contestação

Em contrapartida, a advogada da família de Flávio Rodrigues, Geyza Mitz, contesta a decisão e defende que ocorreu uma irregularidade jurídica conhecida como supressão de instância na decisão que concedeu a prisão domiciliar ao filho da primeira-dama de Manaus. Pois de acordo com decisões anteriores do Tribunal de Justiça do Amazonas, o pedido de revogação da prisão deve ser feito primeiro ao próprio juiz que decretou a prisão, na instância de 1° grau, e em caso de negativa, impetra-se o remédio jurídico Habeas Corpus. Não existe até a presente data indícios de que houve qualquer pedido neste sentido “pedido de revogação de prisão”, ou até mesmo a negativa de tal pedido por parte da juíza Ana Paula de Medeiros, que havia decretado a prisão de Alejandro, indo direto a instância de 2° grau, o que no Amazonas não seria acatado, de acordo com a advogada.

Código Penal

De acordo com o Código de Processo Penal, o juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:

I – maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
II – extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
III – imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
IV – gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
V – mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
VI – homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Enquanto isso, o filho da primeira-dama ainda não se apresentou, a desembargadora deu o prazo de 24 horas para que o mesmo comparecesse a delegacia para prestar esclarecimentos e depois seguisse para a prisão domiciliar em sua residência. Em caso do não comparecimento, a decisão é revogada e ele passa a ser considerado novamente um foragido.

Analisando os fatos

Outro caso muito comentado, é o envolvimento de Alejandro Valeiko com o chefe de cozinha Vittório Del Gatto. Várias testemunhas relatam que entre ambos havia um relacionamento homossexual, que poderia ter sido o misterioso motivo que levou ao desentendimento entre os participantes da festa realizada na casa de Alejandro e Vittório, causando a morte do engenheiro. Entretanto, Vittório que cumpre prisão temporária, se apresentou como cuidador de Valeiko, que teria problemas psicológicos e dependência química, mas o chefe de cozinha não é remunerado pelos serviços, pois não tem carteira assinada para exercer tal função, e ele explica que seu trabalho era voluntário.
Outro ponto muito pautado principalmente em comentários nas redes sociais e grupos de Whatsapp, é o porquê do enteado do prefeito, tão debilitado e incapaz, morar teoricamente sozinho (apenas com um cuidador), apresentando riscos para si e para sociedade, e só ter sido encaminhado para tratamento após essa fatalidade. Vale ressaltar que, a festa em sua casa é consequência de um “after” que ocorreu depois de uma rave. Alejandro circulava normalmente pela cidade e realizava festinhas em sua casa como uma pessoa normal até então. Caso seja cumprida a prisão domiciliar, os ricos para ele e para quem esteja na residência com ele, poderá ser maior do que em um hospital psiquiátrico. Porém, embora se especule que o rapaz doente possa ter sido o autor do assassinato, um dos presos temporariamente (há cinco pessoas cumprindo prisão temporária), já teria confessado o crime, a polícia só não disse quem, e não se entende o motivo pelo qual até o momento Alejandro continua “escondido”.

Laudo da perícia

Uma necrópsia realizada no corpo de Flávio Rodrigues dos Santos, pelo perito Celso Braga Gomes, afirma que o engenheiro morreu por conta de 02 das 06 perfurações de faca encontradas no corpo.
Segundo o documento, ao examinar a parte interna do corpo foi constatado que as duas facadas recebidas no abdômen atingiram as alças intestinais de Flávio, “Encontrei lesões perfurações de alças intestinais e sangue na cavidade abdominal (Hemoperitônio)”, e ele então conclui “Morte se deu de Traumatismo Abdominal por Ação Perfuro Cortante”.

Ainda segundo o documento, além das duas perfurações encontradas na região abdominal, foram identificadas duas perfurações superficiais nas costas, que não chegaram a penetrar o tórax e outras duas perfurações, também por arma branca, na coxa esquerda.
Apesar da indicação da causa da morte ter sido as duas facadas que Flávio recebeu no abdômen, o laudo mostra que marcas no pescoço indicam que ele também foi sufocado.
Além disso o corpo do engenheiro apresentava diversos machucados e arranhões pelo corpo, que segundo o legista indicam que ele foi arrastado pelo solo e removido de um lugar para o outro, “múltiplas escoriações tanto de arrasto como lineares nos troncos e nos membros, que sinalizam para o fato de ter sido o corpo removido ou arrastado no solo” , indica o documento.
A perícia não encontrou, conforme o laudo, nenhum tipo de machucado na região da cabeça.

Houve briga envolvendo faca dentro da residência, isso é fato. Magno, um dos amigos de Alejandro levou duas facadas nas costas. Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra ele no chão enquanto aguardava socorro. Magno também está preso.

https://youtu.be/IVzlYOTx1IY

Investigações

Após investigações foi constatado através das câmeras de segurança do condomínio, que dois seguranças a serviço da Casa Civil estiveram na casa de Alejandro Molina Valeiko, no condomínio Passaredo, bairro Tarumã, e fizeram a remoção do corpo de Flávio usando um veículo modelo Corola. No outro dia, de acordo com testemunhas, o corpo de Flávio foi atirado de uma caminhonete branca em um terreno baldio nas proximidades da casa de Alejandro. Será que Flávio já saiu morto da casa? Nas imagens o segurança aparece com um volume em seu colo no banco de trás do carro, que indica que seria a vítima. Outra pergunta que todos se fazem é, quem autorizou os segurança a irem até a residência de Alejandro retirar Flávio de lá enquanto estavam a serviço da prefeitura?

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Imagens da câmera de segurança

Conclusão

São esses e outros inúmeros motivos e contradições que tem deixado toda a população da cidade de Manaus alerta, revoltada e ansiosa para saber a conclusão do caso que já completa uma semana sem qualquer esclarecimento.

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