Após ser constatado que não houve invasão e sequestro no condomínio Passaredo, onde reside o filho da primeira-dama de Manaus, o anfitrião Alejandro Valeiko segue sem dar pistas, pelo menos para a sociedade, e causa revolta.

Na manhã desse domingo (6), após a repercussão da decisão da desembargadora que acatou o pedido de habeas corpus ao foragido Alejandro Valeiko, suspeito de ser o autor do assassinato de Flávio Rodrigues, amigos, familiares, internautas, jornalistas, advogados e a população em geral que seguem acompanhando o desfecho do caso (longe de acontecer pelo visto), se revoltaram, e cada um manifestou sua indignação de um jeito diferente, mostrando que não vão aceitar a injustiça que “uma suposta influência poderia estar causando” no crime mais comentado dos últimos tempos.

Manifestação

Em frente a Paróquia Coração Imaculado de Maria, no bairro Morro da Liberdade, bairro onde residia o engenheiro Flávio Rodrigues, morto há uma semana, familiares e amigos se reuniram com cartazes na mão pedindo justiça.

Enquanto muitos sofrem na missa de sétimo dia de Flávio, o principal suspeito segue desaparecido. Alejandro que teve a sua prisão decretada na última quinta-feira (3), passou três dias foragido. Familiares informam que o mesmo teria embarcado, após prestar depoimento, para uma clínica de tratamento no Rio de Janeiro, sob responsabilidade do médico Olavo de Campos Pinto Júnior e segue com acompanhamento exclusivo 24h por dia. A defesa alega que Alejandro, filho da primeira dama do Estado do Amazonas Elizabeth Valeiko, não tem condições de colaborar com as investigações, pois é uma pessoa doente, com surtos psicóticos devido o prolongado uso de substâncias químicas, que tem oscilação de humor e, apresentaria riscos a ele e a outas pessoas caso viesse a ir para a cadeia. Portanto, por questões humanitárias, a desembargadora Joana Meirelles saiu no plantão de sábado (5), num habeas corpus criminal apresentado pela defesa de Alejandro ao TJ-AM.

Contestação

Em contrapartida, a advogada da família de Flávio Rodrigues, Geyza Mitz, contesta a decisão e defende que ocorreu uma irregularidade jurídica conhecida como supressão de instância na decisão que concedeu a prisão domiciliar ao filho da primeira-dama de Manaus. Pois de acordo com decisões anteriores do Tribunal de Justiça do Amazonas, o pedido de revogação da prisão deve ser feito primeiro ao próprio juiz que decretou a prisão, na instância de 1° grau, e em caso de negativa, impetra-se o remédio jurídico Habeas Corpus. Não existe até a presente data indícios de que houve qualquer pedido neste sentido “pedido de revogação de prisão”, ou até mesmo a negativa de tal pedido por parte da juíza Ana Paula de Medeiros, que havia decretado a prisão de Alejandro, indo direto a instância de 2° grau, o que no Amazonas não seria acatado, de acordo com a advogada.

Código Penal

De acordo com o Código de Processo Penal, o juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:

I – maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
II – extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
III – imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
IV – gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
V – mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
VI – homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Enquanto isso, o filho da primeira-dama ainda não se apresentou, a desembargadora deu o prazo de 24 horas para que o mesmo comparecesse a delegacia para prestar esclarecimentos e depois seguisse para a prisão domiciliar em sua residência. Em caso do não comparecimento, a decisão é revogada e ele passa a ser considerado novamente um foragido.

Analisando os fatos

Outro caso muito comentado, é o envolvimento de Alejandro Valeiko com o chefe de cozinha Vittório Del Gatto. Várias testemunhas relatam que entre ambos havia um relacionamento homossexual, que poderia ter sido o misterioso motivo que levou ao desentendimento entre os participantes da festa realizada na casa de Alejandro e Vittório, causando a morte do engenheiro. Entretanto, Vittório que cumpre prisão temporária, se apresentou como cuidador de Valeiko, que teria problemas psicológicos e dependência química, mas o chefe de cozinha não é remunerado pelos serviços, pois não tem carteira assinada para exercer tal função, e ele explica que seu trabalho era voluntário.
Outro ponto muito pautado principalmente em comentários nas redes sociais e grupos de Whatsapp, é o porquê do enteado do prefeito, tão debilitado e incapaz, morar teoricamente sozinho (apenas com um cuidador), apresentando riscos para si e para sociedade, e só ter sido encaminhado para tratamento após essa fatalidade. Vale ressaltar que, a festa em sua casa é consequência de um “after” que ocorreu depois de uma rave. Alejandro circulava normalmente pela cidade e realizava festinhas em sua casa como uma pessoa normal até então. Caso seja cumprida a prisão domiciliar, os ricos para ele e para quem esteja na residência com ele, poderá ser maior do que em um hospital psiquiátrico. Porém, embora se especule que o rapaz doente possa ter sido o autor do assassinato, um dos presos temporariamente (há cinco pessoas cumprindo prisão temporária), já teria confessado o crime, a polícia só não disse quem, e não se entende o motivo pelo qual até o momento Alejandro continua “escondido”.

Laudo da perícia

Uma necrópsia realizada no corpo de Flávio Rodrigues dos Santos, pelo perito Celso Braga Gomes, afirma que o engenheiro morreu por conta de 02 das 06 perfurações de faca encontradas no corpo.
Segundo o documento, ao examinar a parte interna do corpo foi constatado que as duas facadas recebidas no abdômen atingiram as alças intestinais de Flávio, “Encontrei lesões perfurações de alças intestinais e sangue na cavidade abdominal (Hemoperitônio)”, e ele então conclui “Morte se deu de Traumatismo Abdominal por Ação Perfuro Cortante”.

Ainda segundo o documento, além das duas perfurações encontradas na região abdominal, foram identificadas duas perfurações superficiais nas costas, que não chegaram a penetrar o tórax e outras duas perfurações, também por arma branca, na coxa esquerda.
Apesar da indicação da causa da morte ter sido as duas facadas que Flávio recebeu no abdômen, o laudo mostra que marcas no pescoço indicam que ele também foi sufocado.
Além disso o corpo do engenheiro apresentava diversos machucados e arranhões pelo corpo, que segundo o legista indicam que ele foi arrastado pelo solo e removido de um lugar para o outro, “múltiplas escoriações tanto de arrasto como lineares nos troncos e nos membros, que sinalizam para o fato de ter sido o corpo removido ou arrastado no solo” , indica o documento.
A perícia não encontrou, conforme o laudo, nenhum tipo de machucado na região da cabeça.

Houve briga envolvendo faca dentro da residência, isso é fato. Magno, um dos amigos de Alejandro levou duas facadas nas costas. Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra ele no chão enquanto aguardava socorro. Magno também está preso.

Investigações

Após investigações foi constatado através das câmeras de segurança do condomínio, que dois seguranças a serviço da Casa Civil estiveram na casa de Alejandro Molina Valeiko, no condomínio Passaredo, bairro Tarumã, e fizeram a remoção do corpo de Flávio usando um veículo modelo Corola. No outro dia, de acordo com testemunhas, o corpo de Flávio foi atirado de uma caminhonete branca em um terreno baldio nas proximidades da casa de Alejandro. Será que Flávio já saiu morto da casa? Nas imagens o segurança aparece com um volume em seu colo no banco de trás do carro, que indica que seria a vítima. Outra pergunta que todos se fazem é, quem autorizou os segurança a irem até a residência de Alejandro retirar Flávio de lá enquanto estavam a serviço da prefeitura?

Imagens da câmera de segurança

Conclusão

São esses e outros inúmeros motivos e contradições que tem deixado toda a população da cidade de Manaus alerta, revoltada e ansiosa para saber a conclusão do caso que já completa uma semana sem qualquer esclarecimento.