Um em cada sete jovens no mundo sofre de algum transtorno psicológico, aponta o índice KidsRights 2025.
O impacto do uso das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes chegou a um ponto crítico. De acordo com o relatório divulgado pelo KidsRights Index 2025, elaborado em parceria com a Universidade Erasmus de Roterdã, o uso desenfreado das plataformas digitais está diretamente ligado ao aumento dos casos de ansiedade, vício, insegurança e até tentativas de suicídio entre jovens de 10 a 19 anos.
Segundo o levantamento, 1 em cada 7 adolescentes em todo o mundo apresenta algum tipo de transtorno psicológico. No Brasil, dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), do Sistema Único de Saúde (SUS), mostram que a taxa de atendimentos por ansiedade entre jovens varia de 125,8 a 157 por 100 mil habitantes, superando, inclusive, os índices entre adultos, que giram em torno de 112,5.
O relatório faz um alerta contundente: “A crise emocional de nossos meninos e meninas atingiu um ponto crítico, exacerbada pela expansão descontrolada das mídias sociais, que privilegia o uso em detrimento da segurança”, afirmou Marc Dullaert, presidente do grupo KidsRights.
Redes sociais e tentativa de suicídio
Além do aumento de casos de ansiedade, o documento destaca uma relação direta entre o uso excessivo das redes sociais e o crescimento das tentativas de suicídio entre adolescentes, especialmente entre os que têm entre 15 e 19 anos. Atualmente, seis em cada 100 mil jovens dessa faixa etária tiram a própria vida.
Entre os efeitos mais preocupantes apontados estão a comparação constante, o vício em validação digital, a pressão estética e a redução da autoestima — tudo isso intensificado pela exposição prolongada às plataformas.
Proibir ou orientar?
Diante do cenário alarmante, países como a Austrália já adotaram medidas mais rígidas, como a proibição do acesso às redes sociais por menores de 16 anos. No entanto, especialistas alertam para os riscos de tais restrições. O próprio relatório pondera que proibições absolutas podem infringir direitos civis e limitar o acesso à informação.
A saída, segundo os profissionais envolvidos no estudo, está no diálogo, na educação digital e na presença ativa da família. “A função das famílias no contexto da ansiedade infantil tem a ver com a observação do tempo livre para brincadeira, contato com a natureza, regulação do sono e diminuição das telas”, afirma o psicólogo Alexandre Coimbra.
O que fazer na prática?
O relatório sugere que governos invistam em políticas de educação digital e que as famílias desenvolvam rotinas mais equilibradas para seus filhos — com tempo para conversas, lazer offline, sono de qualidade e acesso a conteúdos saudáveis.
Aqui no Teen Pautas, o tema seguirá em destaque. Afinal, falar sobre saúde mental é urgente — e precisa ser do nosso jeito, com verdade e acolhimento.







