Com a chegada das férias de fim de ano, especialistas ensinam como fazer as contas e ponderar o que funciona melhor para você.

Com data marcada para dezembro, de manhã bem cedo e depois de fazer uma oração, a família de Rosa Viana vai pegar a estrada com destino às férias de final de ano. São cerca de dois dias de viagem em rodovias. “Depois de colocar na ponta do lápis, vimos que o custo-benefício de ir de carro compensa mais do que optar por avião”, explica.

Como faz parte de um grupo de 12 pessoas, o preço do deslocamento aéreo representa um valor significativo no orçamento da viagem como um todo. Mas, assim como a família da professora de 46 anos, é provável que outros milhares de brasileiros optem por fazer o trajeto sobre quatro rodas — seja para se proteger contra a Covid-19, seja pelo aumento do valor das passagens aéreas.

Segundo a Agência Nacional de Aviação (ANAC), os reflexos da pandemia no setor aéreo doméstico começaram a pressionar a tarifa no 2º trimestre deste ano, com alta de 21,7% no valor médio em relação ao mesmo período de 2020. No ano passado, a demanda por voos chegou a registrar queda de 90% quando comparada à 2019.

Bons ventos

Com a chegada das férias de fim de ano e o avanço da vacinação no país, o setor de turismo vive uma fase de otimismo devido à demanda reprimida após o período de isolamento, de acordo com Mami Fumioka, vice-presidente da Quickly Travel, agência de viagens.

“O desejo de viajar está mais vivo do que nunca na mente dos brasileiros. As remarcações dos clientes que já haviam planejado suas viagens também tem ajudado bastante”, comenta. Mas, o aumento do preço do combustível de aviação e a alta do dólar fizeram muita gente deixar de circular nos aeroportos para aproveitar a comodidade do próprio carro.

Olhar os preços altos no buscador de tarifas das companhias aéreas pode ser motivo de espanto, porém, quando colocados na balança com relação aos valores do combustível de automóveis — que não estão nada amigáveis ao bolso dos viajantes — horas de deslocamento, revisão do carro e eventuais refeições durante o trajeto, realmente vale mais a pena viajar de carro?

Na visão da especialista, não existe uma resposta exata para essa questão. “Tudo depende de muitas variáveis, como preferências pessoais, distância entre origem e destino, número de dias, região escolhida e atividades realizadas ao longo do trajeto”, ilustra.

Além disso, Fumioka ressalta que há outros gastos envolvidos: “É preciso estudar. Cada caso é um caso”, pondera. Para chegar ao resultado, basta seguir o passo a passo e ver o que funciona melhor para você.

Questão de preferência

Enquanto alguns priorizam a rapidez e praticidade do avião, outros acreditam que o carro é fundamental para conhecer melhor o cenário que compõe a cidade escolhida. Por isso, o primeiro aspecto a ser levado em consideração é a predileção do turista e a disponibilidade para ficar mais tempo dentro do carro. Há, por exemplo, quem sinta náuseas ou tontura por conta da movimentação do veículo.

No caso de Rosa, a viagem com destino a Maceió está marcada para dezembro. A família também costuma preferir a liberdade de cair na estrada de carro, apesar do trajeto demandar mais horas de deslocamento. “Tem conforto, conhecemos lugares diferentes, e ainda socializamos com a família”, comenta a professora.

Eles estão em 12 pessoas e, para aproveitar a companhia uns dos outros, decidiram alugar uma van para realizar o trajeto juntos. Até o cachorrinho da família vai participar do passeio.

Pensar estrategicamente

Viajar de carro nem sempre é uma preferência: a decisão também pode fazer parte de uma estratégia para economizar no Réveillon. Dayla Suênia, 25, e as amigas encontraram um trajeto mais barato que o destino final, e vão diminuir as horas de carro para otimizar o tempo curto, uma vez que não terão apenas o fim de semana da virada do ano-novo de recesso no trabalho.
“Vamos para Conceição do Ibitipoca, Minas Gerais. As passagens para Belo Horizonte estão absurdas, com escalas longas demais”, explica. A estratégia delas é desembarcar no Rio de Janeiro e seguir viagem até o lugar com um carro alugado. “Como vamos gastar menos com transporte, podemos escolher uma hospedagem melhor”, completa.

Passo a passo

Como explicam as especialistas Mami Fumioka, da Quickly Travel, e Aline Silva, hoteleira e mentora de hospitalidade, para chegar ao resultado que funciona para você, é importante considerar a seguinte lista de gastos, que varia de acordo com as suas condições particulares:

Distância da cidade de origem até o destino;

Quantidade de passageiros no transporte;

Relação consumo de combustível e quilometragem do seu carro em rodovias;

Valor da revisão do carro;

Diária de pernoite em cidade no caminho (caso prefiram, por motivos de segurança, evitar viajar durante a noite)

Alimentação — refeições durante o trajeto e eventuais lanches consumidos no carro;

Eventual necessidade de alugar um carro no destino, e o preço da diária na locadora.

“Também podemos falar sobre a comida. No avião, temos uma opção de menu limitada, enquanto viajamos de carro a oferta é de acordo com o nosso estilo de vida. E mais um detalhe: viajando de carro, eles nunca vão inspecionar o que você tem na bagagem, não há limite de peso, e pode trazer presentes para todo mundo”, adiciona Aline Silva.

Escolhendo seu roteiro

Para definir o perfil da sua viagem, você começa a pensar nos tipos de lugares que deseja visitar ou quando deve ir: será uma viagem mais urbana, de praia, imersão na natureza?”, questiona a especialista em hotelaria. “Uma viagem de curta ou longa duração. Vou me hospedar em hotéis ou meios alternativos, quero algo conectado ao meu estilo de vida ou estou disposto a viver uma realidade diferente?”, completa.

Após delinear o projeto, pesquise sobre o destino. “Esta é uma das etapas mais importantes – senão a mais importante. Encontre informações sobre o que se pode visitar sobre monumentos, hotéis, passeios, restaurantes que oferecem o melhor da gastronomia local e descubra lugares a não perder”.

Se o passeio é apenas para curtir o Réveillon, ou passar o Natal em família, a especialista adiciona algumas dicas:

Não perca seu tempo com grandes deslocamentos;

Escolha apenas um país ou região;

Não preencha a agenda com atividades, você acabará exausto;

Faça reservas com antecedência;

Planeje sua viagem, mas reserve um tempo para o improviso. Não seja muito rígido.

Fonte: Metrópoles