Após 2020 anos, a Igreja Católica dá mostras que segue em sintonia com o tempo e o mundo que lhe cerca. Não é à toa que, segundo o portal Catraca Livre, o Vaticano prepara a beatificação do jovem britânico Carlo Acutis, que morreu de leucemia em 2006.

Acutis era considerado um gênio da informática cuja paixão só se comparava a sua devoção pela eucaristia. Vítima do câncer, teve o primeiro milagre relatado no Brasil, no Estado do Mato Grosso do Sul, onde, segundo testemunhas, o evento teria acontecido.

Nos relatos, uma criança teria sido curada depois que o avô tocou nas roupas do jovem que estavam expostas em uma paróquia de Campo Grande. O gesto teria eliminado a doença congênita que a criança sofria. O detalhe é que as roupas de Carlo são comuns dos jovens de hoje em dia.

Para o cientista social Marcelo Seráfico, o conceito evolucionista de Charles Darwin “Na natureza, não são os mais fortes que sobrevivem e sim aqueles que se adaptam primeiro”, retrata bem o poder que a igreja católica exerce sobre o mundo que a cerca.


Sintonia e legitimação

“É sempre esse o grande desafio da igreja: estar em sintonia com as transformações que são provocadas no mundo do trabalho, da cultura, da tecnologia, dos comportamentos que nascem nas sociedades, por isso, a busca pela legitimação é vital para o Vaticano”, ponderou.

De acordo com Seráfico, o movimento do vaticano na direção da internet é interessante de ser observado a partir do prisma das tecnologias. “Se olharmos atentamente, a igreja primeiro dominou o rádio, depois partiu para a TV e agora busca a internet”, elencou o cientista.

A aproximação visa animar a vida religiosa, diz Marcelo. “Esse reconhecimento, essa santificação da internet é a modernização da tradição que reconhece as redes sociais e demanda estratégias de presença da igreja, por isso essa beatificação é importante”, avaliou.

Ainda segundo Marcelo Seráfico, até o tempo de beatificação foi acelerado para se adequar à velocidade da internet. “Geralmente um processo como esse de beatificação demora décadas! Mas, em tempos de internet, a igreja não tem tempo a perder”, observou.