Declaração ocorreu no dia do evento Democracia Inabalada, organizado pelo governo Lula, em memória do primeiro ano dos ataques golpistas em Brasília
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se coloca como “vítima” dos atos do oito de janeiro. Em pronunciamento publicado na rede social X (antigo Twitter), o dirigente da sigla disse que Moraes deixou de ser “juiz” e se tornou parte envolvida no processo ao denunciar que havia uma “conspiração contra ele”. A declaração ocorreu no dia do evento Democracia Inabalada, organizado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em memória do primeiro ano dos ataques golpistas em Brasília.
“Será que temos um ministro que queria se proteger ou talvez se promover com esse julgamento? Será que, para se defender, começou a dizer o absurdo de que os manifestantes, munidos de pedaços de pau, queriam dar um golpe?”, questionou o presidente do PL.
“Todos sabem que, de acordo com a nossa Constituição, quem é parte do processo não pode julgar (…). O dia 8/01/2023 nos revelou muita coisa, principalmente que um ministro que se assume como vítima deveria se afastar de casos assim e se defender, mas, em hipótese alguma, deveria julgar”, concluiu.
Em entrevista ao GLOBO sobre os ataques do 8 de Janeiro, Moraes, relator das investigações sobre a investida golpista no STF, afirmou que a investigação desvendou três planos contra ele, que envolviam até homicídio.
— Eram três planos. O primeiro previa que as Forças Especiais (do Exército) me prenderiam em um domingo e me levariam para Goiânia. No segundo, se livrariam do corpo no meio do caminho para Goiânia. Aí, não seria propriamente uma prisão, mas um homicídio. E o terceiro, de uns mais exaltados, defendia que, após o golpe, eu deveria ser preso e enforcado na Praça dos Três Poderes. Para sentir o nível de agressividade e ódio dessas pessoas, que não sabem diferenciar a pessoa física da instituição — disse o ministro.
No evento desta segunda-feira, Moraes afirmou que não se deve confundir “paz” com “impunidade e disse que o esquecimento do que ocorreu significaria “encorajar grupos extremistas”.
— O fortalecimento da democracia não permite confundirmos paz e união com impunidade, apaziguamento ou esquecimento. Impunidade não representa paz ou união. Todos, absolutamente todos aqueles que pactuaram covardemente com a quebra da democracia e a tentativa de instalação de um Estado de exceção serão devidamente investigados, processados e responsabilizados nas medidas de suas culpabilidades.







