Um dos roteiros mais amados no país, o destino também vive de paradoxos. Saiba como evitar dores de cabeça.

Sou paulistano, mas morei boa parte da minha vida no Rio de Janeiro. Sempre mantive um contato próximo com as duas cidades, por razões profissionais e familiares. Logo, acredito que aprendi a ver o Rio sem o preconceito e a implicância de alguns conterrâneos, mas também sem o ufanismo ou o derrotismo de alguns cariocas.

O fato é que, gostando ou não da cidade, o Rio de Janeiro é um destino conhecido mundialmente, visitado o ano inteiro por turistas de todas as partes do planeta. Com boas praias, incluindo uma das melhores praias do Brasil (Ipanema), paisagens de tirar o fôlego, pontos turísticos famosos e inúmeras opções gastronômicas, culturais e de entretenimento, a cidade parece ter sido esculpida a dedo para agradar até os mais exigentes.
Mas o Rio de Janeiro também é a cidade do contraste, do paradoxo. Um retrato de um lado que nada orgulha o Brasil, pela violência e pelos problemas sociais que escancaram a desigualdade e demonstram as consequências da omissão da sociedade e do poder público. E essa imagem, muitas vezes, acaba ofuscando a beleza da cidade e afastando os turistas.

1. Se preocupar demais ou de menos com a segurança no Rio de Janeiro

Esse é o maior receio de quem não conhece bem o Rio de Janeiro. A violência é um problema super presente na cidade. Mas, infelizmente, não é muito diferente do que vemos nas principais capitais brasileiras. Rapidamente você vai perceber que a atmosfera na cidade é normal, igual a qualquer outra cidade brasileira. E que de dia e de noite milhares de turistas aproveitam e se divertem muito.
Se você restringir sua visita às áreas turísticas, tomar cuidados como não usar joias, ouro e acessórios caros, não utilizar o celular nas praias ou calçadões (se quiser usar o celular, entre numa loja ou restaurante) e evitar portar bolsas ou mochilas com valores, conseguirá também diminuir a chance de sofrer um furto ou passar por situações de risco. Além disso, evite andar por locais desertos ou desconhecidos. Na dúvida, peça orientação!

2. Descuidar na hora de escolher sua hospedagem no Rio de Janeiro

O preço médio da estadia no Rio de Janeiro é mais alto do que a média nacional, porque o destino recebe visitantes de todas as partes do Brasil e do mundo o ano inteiro. A cidade é grande e muito extensa, então ficar bem localizado vai fazer toda a diferença na sua experiência de viagem. A Zona Sul (Copacabana, Ipanema, Leblon, Botafogo e Flamengo, por exemplo) é a região com o maior número de hotéis e a preferida dos turistas, pela proximidade dos pontos turísticos.
A Barra da Tijuca fica mais afastada, mas oferece boas praias, hotéis mais novos e com tarifas mais baixas. A região do Centro permite economizar e, ao mesmo tempo, acessar facilmente as praias e os pontos turísticos via transporte público. Considere alugar um flat ou apartamento, especialmente no caso de estadias mais longas. Veja dicas de onde se hospedar no Rio de Janeiro.

3. Tentar visitar várias atrações no mesmo dia no Rio de Janeiro

Visitar duas ou mais atrações no mesmo dia, em lados opostos da cidade, pode arruinar seus planos e demandar horas em engarrafamentos. O ideal é montar roteiros simples, com um ou mais pontos turísticos no mesmo bairro ou região a cada dia. Atravessar a cidade pode levar mais de 2 horas, dependendo do horário, sem contar com as filas nas atrações, comuns em períodos de alta temporada. Mesmo que tenha pouco tempo, priorize as atrações para aproveitar melhor aquelas que você achar mais interessantes. A correria definitivamente vai jogar contra as suas férias.

4. Deixar de utilizar o transporte público no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro possui duas linhas de metrô, que agora vai até a Barra da Tijuca, além do VLT (um trem leve de superfície, com ar condicionado) interligando a rodoviária e o Aeroporto Santos Dumont com a região central e com o metrô. Ambos são seguros e eficientes. Além disso, para os mais guerreiros, tem o BRT e outras centenas de linhas de ônibus para ajudar você a se deslocar com baixo custo pela cidade, mas sem tanto conforto.
Em dias úteis, entre 7h e 9h, ou entre 17h e 19h, o transporte público costuma ficar muito cheio e o trânsito ruim nas principais vias da cidade. Tenha isso em mente na hora de planejar seus deslocamentos.
A pandemia acabou melhorando muito o trânsito na cidade e deixou o transporte público menos cheio, já que muitas pessoas estão trabalhando em home office ou não voltaram a trabalhar todos os dias no escritório.

5. Não usar os aplicativos de transporte no Rio de Janeiro

Aplicativos de transporte, como Uber e 99, não só vão te ajudar a economizar até 50% em relação às tarifas dos táxis na cidade, como trazem uma segurança extra para os turistas, já que evitam os manjados golpes de taxímetro adulterado ou de desvios na rota praticados por alguns profissionais mal intencionados. Além disso, os motoristas recebem informações sobre as rotas mais rápidas para a sua viagem. Outra opção é o app Taxi Rio, que também oferece descontos nos táxis da cidade maravilhosa.
Dependendo da distância da corrida e da quantidade de pessoas, os apps podem oferecer um deslocamento mais econômico que o transporte público. Veja mais dicas de transportes no Rio de Janeiro.

6. Deixar de explorar a gastronomia do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro tem muitos restaurantes bons, mas também fartas alternativas caras e decepcionantes. Vale a pena explorar algumas opções acessíveis e tipicamente cariocas, como as redes de restaurantes Gurumê (culinária japonesa com um toque brasileiro) e o Delírio Tropical, uma espécie de fast-food de saladas e de pratos frescos super saborosos.
Falando de tradição, a Confeitaria Colombo vale a visita não só pelos lanches e doces caprichados, mas pelo belo visual. Mais caros, mas ainda possíveis, temos o  Assador Rio’s (churrascaria rodízio que ficou no lugar do Porcão, com o mesmo visual incrível), Marius Degustare (carnes e frutos do mar), o Gabbiano Ristorante (italiana e frutos do mar) e a Adega Santiago Barra (comida mediterrânea e europeia) são boas opções. Para pizzas e sobremesas sensacionais, indico o Nolita Oven Bar, na Barra da Tijuca.
Além disso, há dezenas de outros bons restaurantes no Rio de Janeiro de comida brasileira, mas também italiana, francesa, portuguesa e asiática.

7. Deixar de conhecer as novas atrações do Rio de Janeiro

Sempre há algo novo surgindo ou acontecendo no Rio de Janeiro. A atração mais recente, inaugurada em dezembro de 2019, foi Rio Star, a maior roda-gigante da América Latina, com 88 metros de altura e 54 cabines climatizadas. E, nos últimos anos, muita coisa legal surgiu, como o Museu do Amanhã e seu entorno com um visual de tirar o fôlego, além do AquaRio, maior aquário da América do Sul, o Boulevard Olímpico, entre outras atrações. Além dessas opções, há sempre bons espetáculos de teatro, música ou dança rolando pela cidade.

8. Não explorar o que a cidade oferece, além das praias

Claro, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor são visitas imperdíveis para qualquer turista, mas a cidade não se resume às praias e a esses dois clássicos. Por exemplo, o Parque Laje, o Jardim Botânico e a Flores da Tijuca merecem entrar na sua lista. Um passeio sem pressa pela Lagoa ajuda a entender porque a cidade é chamada de maravilhosa. A vista chinesa e as trilhas para a Pedra do Telégrafo, o Morro dos Irmãos e Pedra da Catacumba vão mostrar que a beleza do Rio de Janeiro é quase inesgotável.

9. Se limitar à capital

Próximo ao Rio de Janeiro existem destinos incríveis, com praias e atrações lindíssimas, como Arraial do Cabo, Búzios, que é considerada uma das melhores praias do Brasil e Cabo Frio, além de Angra dos Reis, Ilha Grande e Paraty, só para dar alguns exemplos.
Ainda mais perto, a pouco mais de uma hora de distância, tem a cidade imperial de Petrópolis, com alta temporada durante o inverno, entre lareiras e visuais incríveis. Vale muito a pena explorar esses destinos, combinando com alguns dias na capital.

10. Não se planejar com antecedência para grandes eventos no Rio de Janeiro

Grandes eventos como Carnaval, Réveillon e o Rock in Rio, por exemplo, deixam a cidade lotada. Os preços das hospedagens pode ficar proibitivo. O ideal é se planejar para esses eventos com pelo menos três meses de antecedência. Os ingressos oficiais para o Carnaval costumam esgotar em poucos dias, sendo encontrados depois com preços mais elevados em sites de revenda de ingressos ou em agências de turismo. Já o metrô para chegar a Copacabana no Réveillon também tem tickets limitados, vendidos com muita antecedência.
Em nosso guia do Rio de Janeiro você encontra dicas e informações para planejar e aproveitar sua viagem. É gratuito.
E você, curte o Rio de Janeiro? Tem alguma dica especial para quem quer curtir a cidade maravilhosa? Já cometeu ou evitou algum desses erros? Comente e participe!

Fonte: Melhores Destinos